
O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, afirmou nesta quinta-feira (17) que serviços de inteligência identificaram possíveis planos da Rússia para realizar ataques com drones e mísseis contra países europeus que apoiam a Ucrânia. Segundo ele, as ações poderiam ser apresentadas como acidentes para dificultar uma resposta conjunta da Otan.
A declaração foi feita por Tusk durante um discurso no Parlamento polonês. O primeiro-ministro não informou quais agências de inteligência forneceram as informações.
De acordo com o governo polonês, os possíveis ataques fariam parte de uma estratégia de guerra híbrida e teriam como objetivo testar ou enfraquecer a disposição dos países da Otan de acionar os mecanismos de defesa coletiva da aliança.
A Rússia não reconhece envolvimento em ações de sabotagem atribuídas ao país por governos europeus. O Kremlin também nega acusações relacionadas a operações clandestinas contra países que apoiam a Ucrânia.
A declaração de Tusk ocorreu no mesmo dia em que a Polônia colocou aviões militares em alerta após uma nova onda de ataques russos contra a Ucrânia, em áreas próximas à fronteira polonesa. Os aeroportos de Rzeszów e Lublin foram temporariamente fechados, e moradores de duas regiões do leste do país receberam alertas de ataque aéreo.
Segundo a Reuters, os ataques russos de quinta-feira atingiram Kiev e outras cidades ucranianas, deixando mais de 20 pessoas feridas e provocando danos em infraestrutura. A Polônia informou que não houve violação de seu espaço aéreo durante a operação.
O governo polonês também reforçou a defesa aérea do país. O ministro da Defesa, Władysław Kosiniak-Kamysz, afirmou que houve aumento da atividade de caças F-16 e helicópteros, além do reforço dos sistemas de defesa aérea e de resposta rápida.
A preocupação aumentou depois de um episódio registrado no domingo (13), quando um drone russo atingiu um trem de passageiros na Ucrânia, a cerca de 2 quilômetros da fronteira com a Polônia.
Tusk também afirmou que possíveis ataques poderiam ocorrer em um contexto de mudanças políticas em países europeus. Ele citou o risco de que grupos contrários ao apoio militar à Ucrânia ganhem espaço político, embora não tenha apresentado evidências de uma ligação direta entre esses movimentos e um eventual ataque russo.
Nesta sexta-feira (18), Tusk viajou à Ucrânia para se reunir com o presidente Volodymyr Zelensky. Os dois discutem a participação da Polônia em uma coalizão de países que trabalha com Kiev no desenvolvimento de um sistema de defesa antimísseis como alternativa aos equipamentos Patriot, fabricados pelos Estados Unidos. A entrada da Polônia na coalizão foi anunciada nesta sexta-feira.
O governo polonês confirmou que Tusk apresentou ao Parlamento as informações sobre possíveis ataques híbridos e afirmou que o país está reforçando medidas de segurança diante da guerra entre Rússia e Ucrânia.
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