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Exposições em BH revisitam trajetórias da moda e da fotografia

Mostras sobre Markito e Mana Coelho abrem em setembro e integram a programação da 20ª Primavera dos Museus

14/09/2026 às 13h38
Por: João Vitor Viana
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Daniel Moreira
Daniel Moreira

Belo Horizonte recebe, nos dias 25 e 26 de setembro, duas novas exposições que recuperam trajetórias marcantes da cultura e da história brasileira. O Museu da Moda de Belo Horizonte (MUMO) apresenta “Markito: Cintilações da Noite”, dedicada ao estilista mineiro que ganhou projeção nacional e internacional entre as décadas de 1970 e 1980. Já o Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) abre “Mana Coelho: Fotopioneira”, que destaca o trabalho da fotógrafa responsável por registrar importantes transformações políticas, sociais, urbanas e culturais de Belo Horizonte e de Minas Gerais.

As duas mostras integram a programação da 20ª Primavera dos Museus, realizada nacionalmente pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), e também fazem parte do projeto “Museus Centro – o percurso da memória de Belo Horizonte”. Todas as atividades são gratuitas. A programação completa pode ser consultada no site do projeto e no Portal BH.

No MUMO, a exposição “Markito: Cintilações da Noite” também marca os 10 anos de criação do museu. A mostra reúne roupas, fotografias, documentos, objetos e registros da imprensa para apresentar o universo criativo do estilista, que transformou a moda em uma expressão ligada à música, ao cinema, às artes cênicas e à vida noturna. Paetês, franjas, bordados, fendas, decotes e tecidos fluidos estão entre os elementos que marcaram sua produção.

Nascido em Uberaba, em 1952, Marcos Vinícius Resende Gonçalves, conhecido como Markito, começou produzindo camisetas artesanalmente, trabalhou como freelancer e figurinista e passou uma temporada em Nova York. De volta ao Brasil, abriu o próprio ateliê e se dedicou ao prêt-à-porter feminino e à moda festa. Sua carreira ganhou destaque especialmente na passagem dos anos 1970 para os 1980, quando suas criações passaram a dialogar com os universos disco e glam e chegaram ao mercado internacional.

Entre os destaques da exposição estão fotografias de Antônio Guerreiro com personalidades como Betty Faria, Christiane Torloni e Gal Costa, além de um vestido de franjas inspirado em “O Grande Gatsby”, peças da coleção “The Party Must Go On”, de 1980, e dois figurinos criados para Ney Matogrosso no espetáculo “Mato Grosso”, de 1982. A mostra também aborda a relação de Markito com as bordadeiras de Uberaba, seu ateliê, que chegou a reunir cerca de 150 funcionários, e a produção de aproximadamente 300 vestidos por mês. Outro núcleo apresenta a Markito Lipstick, marca criada em 1975 e voltada à moda jovem.

A programação de abertura do MUMO começa em 25 de setembro, às 10h, com a abertura da exposição. Às 14h, será realizada a oficina “Do Vestido à Coleção”, seguida, às 15h, por uma visita mediada. Às 19h, o seminário “Moda para todas as pessoas: museus, corpos e memória” promove discussões sobre memória, apagamentos, ofícios, acessibilidade, inclusão e diferentes formas de representação. No dia 26, estão previstas as oficinas “Desatando a Gravata”, às 10h, e “Bordado em Meia-Calça”, às 14h, além de uma visita mediada às 16h. No dia 29, às 18h, será realizada a oficina “Memórias e Registros: Álbuns Fotográficos Artesanais”, com inscrição prévia.

No MHAB, a exposição “Mana Coelho: Fotopioneira” será aberta em 26 de setembro, às 14h30, com uma roda de conversa com os curadores Álvaro Sales, Ana Paula Portugal e Mana Coelho. A mostra recupera a trajetória da fotógrafa entre as décadas de 1970 e 1980, período em que o fotojornalismo ainda era majoritariamente masculino. Suas imagens registraram acontecimentos políticos, manifestações, trabalhadores, condições urbanas, manifestações artísticas e cenas do cotidiano de Belo Horizonte e Minas Gerais.

Nascida em Recife, em 1957, Mana Coelho mudou-se ainda criança para Belo Horizonte e se aproximou da fotografia durante a adolescência. Aos 19 anos, enquanto cursava Ciências Sociais na UFMG, começou a trabalhar no “Jornal dos Bairros”. Mais tarde, atuou como fotógrafa independente para veículos como a revista “IstoÉ” e o “Jornal do Brasil”, antes de ser contratada pelo jornal “O Globo”, em 1981.

Adquirida pelo MHAB em 2005, a Coleção Mana Coelho reúne 18.690 itens, entre negativos, fotografias e provas de contato produzidos entre 1976 e 1986. A exposição apresenta não apenas as imagens, mas também aspectos do processo de produção do fotojornalismo analógico, desde a preparação dos equipamentos até a revelação dos negativos e a seleção das fotografias. As mostras “Markito: Cintilações da Noite” e “Mana Coelho: Fotopioneira” têm entrada gratuita e podem ser visitadas de quarta a domingo, das 10h às 18h, no MUMO e no MHAB, respectivamente.

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