
A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita, venceu neste domingo (6) a eleição estadual na Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha, com cerca de 44% dos votos, segundo resultados parciais. O desempenho representa um marco histórico para a legenda e é o mais próximo que um partido de extrema direita chegou de assumir o governo de um estado alemão desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
A vitória eleitoral, porém, não garante à AfD o comando do governo estadual. A legenda ainda precisa alcançar maioria no Parlamento para formar uma administração. Com isso, Ulrich Siegmund, líder do partido no estado, não tem automaticamente assegurado o cargo de ministro-presidente, equivalente ao de governador no Brasil.
A eleição é estadual e não altera a composição do governo federal. A próxima eleição para o Parlamento Federal alemão, responsável pela definição do governo nacional, está prevista para 2029.
O resultado também representa uma derrota política para a coalizão conservadora liderada pelo chanceler Friedrich Merz. A União Democrata-Cristã (CDU), partido de Merz, ficou atrás da AfD na votação estadual.
A eleição ocorreu em meio à insatisfação com o governo federal. Segundo pesquisa da emissora ARD citada pelo g1, 87% dos eleitores da Saxônia-Anhalt afirmaram estar insatisfeitos com a administração de Merz.
Para Marcel Fratzscher, presidente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, o resultado reflete principalmente a rejeição ao governo federal.
Com pouco mais de 2 milhões de habitantes, a Saxônia-Anhalt fazia parte da Alemanha Oriental durante a divisão do país e é considerada um dos principais redutos eleitorais da AfD.
Criada em 2013, a legenda vem ampliando sua presença política e também avançou em eleições estaduais realizadas neste ano em outras regiões da Alemanha. O partido aparece ainda em posição competitiva em pesquisas sobre uma eventual eleição nacional.
A imigração é um dos principais temas da plataforma da AfD. O partido defende regras mais rígidas para entrada e permanência de estrangeiros, aumento das deportações e uma política de “remigração”, termo utilizado pela legenda para defender o retorno de imigrantes aos países de origem.
Na educação, a AfD propõe mudanças nas regras de frequência escolar, defende o ensino domiciliar e sugere a criação de turmas específicas para crianças refugiadas.
Na área de energia, o partido é contrário a parte das políticas climáticas adotadas pela Alemanha e defende maior utilização de combustíveis fósseis e a retomada da energia nuclear.
Na política externa, a legenda defende a reaproximação com a Rússia, o fim das sanções contra Moscou e a redução do apoio alemão à Ucrânia. O partido também é crítico à União Europeia e defende a devolução de competências aos países-membros.
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