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Fóssil de peixe de 254 milhões de anos é encontrado em Mato Grosso

Nova espécie foi identificada em estudo com participação da Uerj e está entre os exemplares mais bem preservados do período já encontrados no Estado

27/08/2026 às 10h33 Atualizada em 27/08/2026 às 10h35
Por: Cristiane Cirilo
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Journal of South American Earth
Journal of South American Earth

Uma nova espécie de peixe pré-histórico que viveu há cerca de 254 milhões de anos foi identificada a partir de um fóssil encontrado no município de Alto Garças, em Mato Grosso. O estudo científico que descreve o animal contou com a participação de pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

O fóssil está excepcionalmente preservado e oferece aos pesquisadores informações sobre a vida existente na América do Sul pouco antes de uma das maiores extinções em massa da história da Terra.

A espécie, batizada de Leolepis, pertence ao grupo dos peixes de nadadeiras raiadas, os actinopterígios. Atualmente, esse grupo representa cerca de 96% dos peixes vertebrados existentes, incluindo espécies como atum, salmão e bacalhau.

O animal tinha aproximadamente 15 centímetros de comprimento e apresentava o corpo protegido por escamas resistentes formadas por dentina e esmalte, materiais também encontrados nos dentes humanos.

O estado de preservação do exemplar é considerado um dos principais aspectos da descoberta. Muitos fósseis de peixes do mesmo período encontrados no Brasil são conhecidos apenas por dentes, escamas ou fragmentos de ossos.

No caso do Leolepis, praticamente todo o corpo foi preservado. Segundo o estudo, trata-se do peixe de nadadeiras raiadas do Permiano mais bem preservado já encontrado em Mato Grosso e de um achado raro também em escala mundial.

O animal viveu durante o Permiano Superior, em um grande sistema aquático continental formado a partir de um antigo mar interior. Naquele período, a América do Sul e a África ainda estavam unidas no supercontinente Gondwana.

Pelo tamanho reduzido dos dentes, os pesquisadores estimam que o peixe se alimentava de pequenos invertebrados e plantas.

Antes da maior extinção em massa

A descoberta ajuda a reconstruir um ecossistema que existia pouco antes da extinção Permo-Triássica, ocorrida há aproximadamente 252 milhões de anos.

Considerado o maior episódio de extinção em massa conhecido pela ciência, o evento provocou o desaparecimento de cerca de 78% da vida terrestre e de até 95% das espécies marinhas.

O fóssil também foi encontrado a aproximadamente 50 quilômetros da cratera de impacto de Araguainha, considerada a maior e mais bem preservada estrutura desse tipo na América do Sul.

A proximidade entre os dois locais acrescenta interesse geológico ao achado, embora o fóssil tenha sido estudado principalmente pelo seu valor para o conhecimento dos peixes continentais do Paleozoico.

Importância para a pesquisa

O registro de peixes continentais do Paleozoico na América do Sul ainda é considerado limitado. Por isso, o exemplar pode ajudar os cientistas a compreender melhor a distribuição dessas espécies e as características dos antigos ambientes aquáticos do continente.

A pesquisadora Valéria Gallo, do Departamento de Zootecnia da Uerj e integrante do estudo, afirma que o estado de preservação do fóssil pode permitir a identificação da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná e contribuir para novas correlações entre diferentes formações geológicas.

O espécime foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira. Posteriormente, o material foi disponibilizado para pesquisa e depositado na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.

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