
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou nesta quinta-feira (13/8) que a filiação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, ao partido Missão foi registrada por um representante da própria legenda. A informação veio à tona quando a equipe do parlamentar tentou formalizar a candidatura e constatou que ele aparecia no sistema da Justiça Eleitoral como filiado ao Missão, e não ao PL, seu partido verdadeiro.
Segundo os registros consultados pelo TSE, Flávio teria deixado o PL na quarta-feira (12) e, na sequência, sido incluído como filiado ao Missão. Segundo informações, o novo registro teria sido feito às 23h17 de quarta-feira (12/8). A situação impediu, naquele momento, o registro da candidatura pelo PL. O Missão já definiu Renan Santos como candidato à Presidência. O portal Impactto News entrou em contato com a assessoria de imprensa do TSE, recebendo, como resposta, uma certidão, que confirmou a situação, inclusive constando a data de filiação.
A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro afirma que a filiação é fraudulenta e pretende solicitar à Polícia Federal a abertura de um inquérito para investigar o caso. A advogada Maria Cláudia Bucchianeri, que integra a defesa do senador, se reuniu nesta quinta-feira com o presidente do TSE, ministro Nunes Marques. Após o encontro, afirmou que o magistrado se comprometeu a adotar as providências cabíveis.
Em suas redes sociais, Flávio afirmou que "o sistema vai tentar de tudo para me parar, mas Deus está no comando e a gente, junto, vai resgatar o Brasil", ressaltando que mais tarde, às 19h fará uma live - quando possivelmente irá abordar mais sobre o assunto -, além de confirmar, para domingo, o início de sua caminhada eleitoral, que ocorrerá em Copacabana, no Rio de Janeiro, a partir das 10h, próximo do Posto 5.
O episódio também levou o partido Missão a se manifestar. Em nota, a legenda afirmou ter identificado uma tentativa de filiação fraudulenta envolvendo Flávio Bolsonaro e disse que tentou cancelar o registro no mesmo dia, mas que o pedido foi rejeitado pelo TSE. O partido também afirmou que o gabinete do senador foi comunicado sobre o episódio no dia 2 e que os e-mails enviados foram visualizados, mas não respondidos.
A legenda informou ainda que pretende colaborar com as investigações e adotar medidas junto ao TSE e à Polícia Federal para identificar os responsáveis. O Missão afirmou que poderá disponibilizar registros de acesso, mensagens eletrônicas e endereços de IP relacionados ao procedimento para auxiliar na apuração. Além disso, a nota também desqualifica o candidato, afirmando que "não é do interesse do partido acolher em seus quadros um parlamentar que, além do desalinhamento ideológico, figura em acusações e suspeitas de envolvimento em esquema de corrupção".
O caso tem precedente envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2024, o nome do petista apareceu nos registros da Justiça Eleitoral como filiado ao PL, embora ele estivesse vinculado ao PT. Na ocasião, uma apuração foi determinada pelo TSE e a Polícia Federal abriu investigação diante dos indícios de inserção de informações falsas no sistema eleitoral.
Naquele episódio, o então presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, apontou indícios de falsidade ideológica e determinou o envio do caso à Polícia Federal. No caso envolvendo Flávio Bolsonaro, as circunstâncias ainda deverão ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação e pela análise dos registros do sistema eleitoral.
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