
A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília e os consulados norte-americanos no Brasil retomaram nesta segunda-feira (5) as atividades e os serviços consulares. O atendimento havia sido suspenso na sexta-feira (2), por questões de segurança, dois dias antes do primeiro turno das eleições brasileiras. A reabertura ocorreu após o fim do período de cautela adotado pelas autoridades norte-americanas.
Além da embaixada na capital federal, a suspensão atingiu os consulados dos Estados Unidos em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife. Durante o período de fechamento, funcionários foram orientados a trabalhar remotamente, enquanto cidadãos norte-americanos que necessitassem de assistência emergencial foram instruídos a utilizar os canais de atendimento por telefone.
A decisão foi anunciada pelas autoridades americanas na quinta-feira (1º), com referência a preocupações de segurança, mas sem que a natureza da ameaça fosse inicialmente detalhada. Posteriormente, informações sobre a investigação vieram à tona. A Polícia Federal informou que cumpriu, na sexta-feira, dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para apurar um suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos Estados Unidos.
Segundo a PF, a operação teve caráter preventivo e foi realizada a partir de uma investigação sigilosa conduzida em cooperação com agências de inteligência estrangeiras. A corporação afirmou que, até o momento da divulgação da nota, não havia encontrado elementos que corroborassem os riscos inicialmente apontados nem identificado suspeitos ligados a organizações criminosas. Os equipamentos de comunicação e mídias apreendidos passaram a ser analisados, e as investigações continuam.
A retomada dos serviços ocorreu um dia após o primeiro turno das eleições de 2026. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, o governo dos Estados Unidos afirmou que as representações voltaram às operações normais, incluindo os serviços consulares, e destacou que a segurança e a proteção dos cidadãos americanos permanecem entre as prioridades da administração Donald Trump. O governo também afirmou que continuará trabalhando com autoridades brasileiras em questões relacionadas à segurança.
O episódio ocorreu em meio a uma semana de atenção reforçada à segurança das representações diplomáticas estrangeiras no Brasil. A Austrália também havia fechado temporariamente sua embaixada em Brasília por preocupações de segurança antes da votação de domingo (4). O governo australiano recomendou ainda que seus cidadãos evitassem áreas próximas às instalações diplomáticas norte-americanas.
Apesar de a suspensão ter ocorrido às vésperas da eleição, os Estados Unidos não apresentaram publicamente a decisão como uma medida diretamente relacionada ao pleito. A Reuters informou que o Departamento de Estado citou preocupações de segurança não especificadas e que a PF, após as diligências realizadas na sexta-feira, não encontrou elementos que confirmassem os riscos inicialmente apontados.
Com a reabertura desta segunda-feira, os serviços consulares voltaram a funcionar normalmente nas representações americanas no país. As investigações brasileiras sobre as possíveis ameaças, porém, continuam, enquanto as autoridades analisam o material apreendido durante as buscas realizadas antes do primeiro turno.
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