
O influenciador e especialista em aviação Lito Sousa morreu nesta quinta-feira (1º), aos 59 anos, em São Paulo. A informação foi confirmada por familiares e divulgada nas redes sociais. Ele estava em casa, recebendo cuidados paliativos, após ser diagnosticado com doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma enfermidade neurodegenerativa rara, de evolução rápida e sem cura conhecida.
A causa da morte está relacionada à progressão da doença de Creutzfeldt-Jakob, e não há indicação, nas informações divulgadas até o momento, de que o câncer de próstata diagnosticado anteriormente tenha sido a causa direta da morte. A DCJ provoca uma deterioração progressiva do sistema nervoso e pode comprometer movimentos, visão, coordenação e funções cognitivas em um período relativamente curto.
A trajetória de Lito até o diagnóstico começou meses antes da morte. Em julho, ele havia revelado que estava tratando um câncer de próstata, diagnosticado como adenocarcinoma de agressividade intermediária. Durante esse período, passou a apresentar dormência no braço, perda de movimentos finos e dificuldades para andar. Inicialmente, os médicos investigaram a possibilidade de uma encefalite autoimune e ele chegou a ser submetido a tratamentos como plasmaférese e pulsoterapia.
A investigação neurológica avançou após a falta de resposta satisfatória aos tratamentos iniciais. Exames realizados durante o acompanhamento médico levaram à identificação da DCJ. O diagnóstico foi confirmado em agosto pela equipe que acompanhava Lito no Hospital Israelita Albert Einstein. A doença é provocada por alterações de proteínas chamadas príons, que levam à destruição progressiva de células do cérebro.
Depois da confirmação, Lito e a esposa, Mila Seidl, iniciaram uma corrida contra o tempo em busca de alternativas experimentais. A família tentou inicialmente conseguir a inclusão do influenciador em pesquisas internacionais, incluindo estudos nos Estados Unidos relacionados a medicamentos que poderiam interferir na produção da proteína priônica. O Ministério da Saúde chegou a atuar para tentar viabilizar a participação dele em um estudo experimental nos EUA.
Como não conseguiu acesso a um dos estudos pretendidos, a família buscou outra alternativa. Em setembro, a Anvisa autorizou excepcionalmente a importação de uma substância experimental, obtida para uso compassivo. O medicamento, identificado em reportagens como ALN-6457, ainda não havia sido formalmente testado em seres humanos com DCJ, portanto sua eficácia contra a doença não era comprovada. Lito recebeu a substância no Hospital Israelita Albert Einstein.
Após receber o medicamento, a esposa informou que não houve intercorrências provocadas pela substância, mas também não foram observadas mudanças clínicas positivas imediatas. A expectativa inicial era acompanhar a evolução do quadro durante semanas e comparar exames e amostras para avaliar eventual efeito. Em seguida, Lito voltou para casa e passou a receber uma estrutura de cuidados paliativos.
Os cuidados em casa incluíam uma equipe multidisciplinar, com enfermeiros em sistema de revezamento, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, acompanhamento psicológico e medicamentos. A própria Mila explicou que cuidados paliativos não significavam necessariamente abandono do tratamento, mas buscavam controlar sintomas, oferecer conforto e preservar a qualidade de vida diante da progressão da doença.
Natural de Natal (RN), Joselito Geraldo de Sousa, conhecido como Lito Sousa, construiu uma carreira de mais de três décadas ligada à aviação. Começou na área ainda adolescente, fez formação técnica pela Força Aérea Brasileira e trabalhou como mecânico e supervisor de segurança de voo em empresas como Varig, Transbrasil e United Airlines. Também se especializou em Fatores Humanos, área relacionada à influência do comportamento e das limitações humanas na segurança da aviação.
Foi na internet, porém, que Lito alcançou projeção nacional. Criador do canal Aviões e Músicas, tornou-se conhecido por explicar de maneira acessível temas técnicos da aviação, procedimentos de segurança, turbulências e acidentes aéreos, além de ajudar a esclarecer dúvidas de passageiros e pessoas com medo de voar. O canal chegou a reunir milhões de inscritos. Lito deixa a esposa, Mila Seidl, e o filho, Malone, de sete anos. Em seu último período de vida, mesmo diante da doença, manteve contato com o público e encerrou um de seus depoimentos com a frase que marcou sua trajetória: “Um grande abraço e até o próximo voo.”
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