
O Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional (CIA-BH) registrou 3.462 casos encaminhados para atendimento ao longo de 2025. Desse total, 3.251 estavam relacionados à apuração de novos atos infracionais, incluindo 2.234 adolescentes atendidos individualmente e 1.017 reentradas. Outros 211 casos envolveram exclusivamente o cumprimento de mandados de busca e apreensão.
Os dados integram o relatório estatístico do CIA-BH, elaborado pela Coordenadoria da Infância e da Juventude (Coinj), por meio da Vara Infracional da Infância e da Juventude de Belo Horizonte. Segundo a desembargadora Alice de Souza Birchal, superintendente da Coinj, o levantamento é uma ferramenta estratégica para acompanhar a atuação da Justiça e também auxiliar o poder público, educadores e a sociedade na elaboração de políticas preventivas e educativas.
O relatório aponta que o número de ocorrências de atos infracionais aumentou 12,22% em relação a 2024, passando de 2.505 para 2.811 registros. O tráfico de drogas aparece como a principal ocorrência, com 1.035 casos, seguido por ameaça, com 259, e furto, com 198. Entre as medidas adotadas, foram registradas 655 internações provisórias em audiências preliminares, enquanto as decisões definitivas incluíram internação, semiliberdade e liberdade assistida.
O perfil dos adolescentes atendidos permanece majoritariamente masculino: 85% são do sexo masculino, principalmente na faixa etária de 15 a 17 anos. Em Belo Horizonte, as regionais Nordeste, Oeste e Leste concentram os maiores índices de residência dos adolescentes encaminhados ao CIA-BH. O levantamento também identificou vulnerabilidades sociais, já que 99,08% dos jovens estudavam em escolas públicas e apenas 24,59% trabalhavam.
O ambiente escolar também aparece entre os pontos de atenção do relatório. Foram registrados 374 encaminhamentos relacionados a atos infracionais praticados em escolas, com predominância de adolescentes do sexo masculino entre 13 e 16 anos. Ameaça, vias de fato e lesão corporal foram as ocorrências mais comuns, enquanto os próprios alunos representaram 68,30% das vítimas. Os crimes cibernéticos, contabilizados pelo segundo ano, somaram 92 registros, incluindo ameaças virtuais, injúrias e disseminação de conteúdo impróprio.
Além da responsabilização prevista pela legislação, o relatório destaca medidas de caráter protetivo, educativo e restaurativo. Em 2025, foram aplicadas 1.379 medidas protetivas, com destaque para matrícula e frequência escolar obrigatórias, inclusão em programas de apoio à família e acompanhamento médico ou psicológico. Também foram encaminhados 38 casos à Justiça Restaurativa, enquanto projetos como o CEDIPRO e o Corre Legal buscaram ampliar oportunidades de profissionalização, esporte, cidadania e inserção no mercado de trabalho, reforçando a proposta de reduzir a reincidência e contribuir para a reconstrução dos projetos de vida dos adolescentes.
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