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Reposição de testosterona não é obrigatória para mulheres, alertam especialistas

Uso sem indicação médica e com fins estéticos pode causar efeitos irreversíveis à saúde

08/08/2026 às 10h00
Por: Cristiane Cirilo
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Reprodução/Coopecir
Reprodução/Coopecir

A reposição de testosterona não é uma necessidade para todas as mulheres e seu uso indiscriminado pode trazer riscos sérios à saúde, segundo alerta divulgado por especialistas e reforçado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Nos últimos anos, conteúdos nas redes sociais têm popularizado a ideia de que o hormônio seria essencial para melhorar disposição, estética, libido e retardar o envelhecimento. No entanto, médicos destacam que não há respaldo científico para a recomendação generalizada.

De acordo com entidades médicas, a reposição hormonal deve ser indicada apenas após avaliação clínica individual, levando em conta sintomas, exames e histórico de saúde da paciente.

Atualmente, a única indicação com base científica para o uso terapêutico da testosterona em mulheres é no tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH) em pacientes na pós-menopausa e mesmo nesses casos, apenas quando outras abordagens não tiveram resultado.

Uma nota conjunta publicada em 2025 pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reforça que a dosagem rotineira do hormônio ou o diagnóstico de “déficit androgênico” não têm base científica e podem levar a tratamentos desnecessários.

Riscos à saúde

O uso de testosterona sem necessidade comprovada, em doses elevadas ou combinado com outras substâncias pode provocar diversos efeitos adversos.

Entre os principais riscos estão:

  • acne e alterações na pele
  • queda de cabelo (alopecia)
  • problemas hepáticos
  • alterações nos níveis de gordura no sangue (dislipidemia)
  • aumento do risco cardiovascular
  • dependência psicológica

Além disso, dados de farmacovigilância da Anvisa apontam aumento nas notificações de eventos adversos relacionados a anabolizantes nos últimos anos, com pico registrado em 2024. Medicamentos como testosterona e somatropina concentram a maior parte dos registros.

Especialistas ressaltam que esse crescimento pode estar ligado também ao aumento da conscientização e das notificações, mas reforçam a importância do uso responsável.

Orientação médica é essencial

A recomendação é que qualquer terapia hormonal seja feita apenas com prescrição e acompanhamento médico. Promessas de benefícios rápidos, especialmente com apelo estético, devem ser vistas com cautela.

A automedicação ou o uso sem orientação pode trazer consequências duradouras e, em alguns casos, irreversíveis à saúde.

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