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Ex-subsecretária falta pela segunda vez à ALMG para explicar contrato de material didático

Segundo comunicado enviado ao Legislativo, a ex-gestora justificou a ausência por estar em gozo de folgas compensatórias

04/08/2026 às 13h55 Atualizada em 04/08/2026 às 15h03
Por: João Vitor Viana
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A ex-subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica, Kellen Senra, voltou a não comparecer à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta terça-feira (4) para prestar esclarecimentos sobre contratos de aquisição de materiais didáticos firmados pela Secretaria de Estado de Educação (SEE) em dezembro de 2025. Segundo comunicado enviado ao Legislativo, a ex-gestora justificou a ausência por estar em gozo de folgas compensatórias.

Esta foi a segunda vez que Kellen Senra deixou de participar de uma reunião da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia. Na primeira convocação, realizada em 8 de julho, a justificativa apresentada foi de que estava em férias-prêmio.

A presidente da comissão, deputada Beatriz Cerqueira (PT), criticou a nova ausência e informou que comunicará as duas faltas ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) e à Polícia Federal. A parlamentar destacou que a ex-subsecretária foi notificada sobre a audiência no dia 15 de julho, mas só encaminhou a justificativa na noite da última segunda-feira (3), véspera da reunião.

Para a deputada, a repetição das ausências reforça a necessidade de aprofundar as investigações sobre os contratos firmados pela Secretaria de Estado de Educação. Segundo ela, representantes da Casa Civil e da Controladoria-Geral do Estado (CGE) já prestaram esclarecimentos à comissão, mas ainda há pontos que precisam ser respondidos.

Durante a reunião, Beatriz Cerqueira relembrou que Kellen Senra esteve à frente de contratos que, somados, ultrapassam R$ 348 milhões durante a gestão do ex-secretário de Educação Rossieli Soares. O ex-secretário foi exonerado em abril deste ano após a CGE apontar indícios de irregularidades na execução do c988ontrato nº 9.462.760.

De acordo com a parlamentar, a denúncia de possíveis irregularidades chegou à Controladoria-Geral do Estado em 16 de dezembro de 2025. Apesar disso, a Secretaria de Educação assinou o contrato em 23 de dezembro e efetuou, seis dias depois, o pagamento da primeira parcela, no valor de R$ 172 milhões, à empresa Fazer Educação Ltda.

"É curioso isso. Os contratos foram feitos na Secretaria de Educação e é a única pasta que não vem ao Legislativo prestar esclarecimentos. Controladoria-Geral já veio, Casa Civil... e já é a segunda ausência. Essa nova ausência será relatada, inclusive à Polícia Federal, que já tem uma denúncia minha sobre esse esquema, e também ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), que também já tem uma denúncia minha sobre esse esses contratos. Vamos continuar fazendo os agendamentos para esclarecimentos sobre isso. Não é possível que a comissão que cuida da Educação, Ciência e Tecnologia do Poder Legislativo não vá conseguir esses esclarecimentos sobre contratos milionários. Mas fico espantada, pois não é possível obter essas respostas diretamente na própria secretaria que efetuou os contratos", destacou a deputada Beatriz Cerqueira. 

A presidente da comissão afirmou, ainda, que busca esclarecer as etapas da contratação e entender por que o processo de pagamento foi mantido mesmo após o registro formal das suspeitas de irregularidades.

Além do contrato investigado, Kellen Senra também era aguardada para prestar informações sobre a execução do contrato nº 9.501.223, firmado entre a Secretaria de Estado de Educação e o Consórcio Cdel-EBN, igualmente destinado à aquisição de materiais didáticos.

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