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Governo Lula repudia tarifaço dos EUA e anuncia uso da Lei da Reciprocidade

Em nota oficial, Palácio do Planalto classificou decisão americana como “injustificada” e prometeu adotar medidas para proteger a economia brasileira

16/07/2026 às 08h56
Por: Cristiane Cirilo
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Agência Brasil
Agência Brasil

O governo do presidente Lula reagiu, na noite desta quarta-feira (15), à decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. Em nota oficial, o Palácio do Planalto repudiou a medida, anunciou que acionará os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e fez críticas à família Bolsonaro.

No comunicado, o governo brasileiro afirmou que a decisão do governo norte-americano representa um "marco lastimável" nas relações entre os dois países e classificou a tarifa como uma medida unilateral e sem justificativa.

"O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país", diz a nota.

O Planalto também destacou que os Estados Unidos acumulam superávit comercial nas relações com o Brasil e afirmou que o país sempre esteve aberto às negociações durante a investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

Na resposta oficial, o governo voltou a defender o sistema de pagamentos Pix, um dos pontos questionados pelas autoridades americanas, e afirmou que as críticas ao mecanismo e à regulação das plataformas digitais são infundadas. O texto também rebate as acusações relacionadas ao combate ao desmatamento.

Além de contestar os argumentos utilizados pelos Estados Unidos, o governo anunciou que iniciará imediatamente os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, e informou que pretende levar a discussão à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo o Planalto, também serão adotadas medidas para reduzir os impactos da tarifa sobre a economia brasileira, incluindo a busca por novos mercados e o fortalecimento das relações comerciais com outros países.

A nota ainda faz críticas à família do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusando aliados de colaborarem com a condução da investigação comercial nos Estados Unidos.

"São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros", afirma o comunicado.

A reação ocorreu poucas horas depois de o governo americano confirmar a aplicação da tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras, medida que entrará em vigor no próximo dia 22 de julho. Produtos como café, carne bovina, petróleo, aeronaves e celulose ficaram de fora da nova cobrança.

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