
Para o Brasil, acabou a Copa do Mundo. Na verdade, o ciclo brasileiro foi muito ruim. Dentro e fora de campo, clima atabalhoado, mudanças na direção da CBF, contratação de treinador estrangeiro por um presidente que, um dia depois, deixou o comando da entidade. Quatro treinadores, muitos atletas testados e nenhum resultado. Classificação em quinto para uma Copa. E vários ainda colocavam o Brasil como favorito. Nunca foi.
A bagunça que a CBF se tornou, as ligações estranhas com empresas e empresários, convocações inexplicáveis, dinheiro e mais dinheiro nos cofres dela e de jogadores. Para a Copa de 2026, tudo caminhou como deveria. E o Brasil até demorou a dar adeus.
Explico: tudo foi feito à medida do improviso. Desde a chegada de Carlo Ancelotti, técnico vitorioso por onde passou, sempre fatos novos, influências de empresários e imprensa, pedidos internos por convocação de atletas e uam seleção final completamente equivocada. Muito desse problema foi de caráter diretivo, mas outra parcela da culpa pode ser colocada, sim, naquilo que desde 2002 acontece: a seleção não é dos melhores, mas de indicações, de influências, de onde o jogador joga, quem é seu empresário e qual seu patrocinador. Infelizmente, ao que parece, as cifras falam mais alto que o fato de atletas vestirem e buscarem realizações com a camisa amarela.
O Brasil é um time de milionários já realizados, que mais se preocupam com Champions League e seus negócios que com a prórpia seleção nacional. Um ou outro até quis mostrar futebol, casos de Endrick, Rayan, Douglas Santos, Danilo Santos, Martinelli. Mas difícil acreditar que um time com Danilo, Casemiro, Paquetá, Neymar, Matheus Cunha, Weverton e tantos outros pudessem querer algo mais que ficar entre os 16. Tecnicamente, muitos dos escolhidos entre os 55 poderiam estar. Mas, ao final, o critério adotado foi justamente o mesmo que permeou a própria CBF: escolhas estranhas - até absurdas - baseada em algo que ninguém até hoje explicou. Nada me convence. De antemão, Kaiki, Gerson, Matheus Pereira e Pedro jamais poderiam estar fora da lista final, até porque têm mais qualidade de quem foi chamado. Outros tantos também poderiam estar, mas como não jogam em determinadas equipes, possivelmente ficaram de fora.
A imprensa tem muita culpa em tudo isso. Passou meses debatendo e defendendo Neymar entre os 26. Passaram pano para Danilo, Casemiro e Paquetá. Avalizaram a convocação esdrúxula de Ancelotti e hoje já torcem o nariz para o prórpio treinador, sem dar o braço a torcer. O certo é que o Brasil fez tudo errado e pagou por isso.
Que o novo ciclo se inicie sem os vícios de outrora. Já falam que Samir Xaud deverá sair e que há gente de olho. Ou seja, já começa todo o repertório que deu errado. E olha que nem esfriaram-se os ânimos dos torcedores, jornalistas e palpitadores de plantão. Para um ciclo vitorioso, de sucesso, há necessidade de o treinador ter carta branca, mudar equipe, tirar quem em nada acrescenta - cito aqui, Taffaral - e convocar quem realmente merece. Desde cedo aprendi que seleção é dos melhores. Há 24 anos que o Brasil não segue a cartilha.
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