
O futebol tem dessas crueldades que nenhum roteiro ousaria escrever. Durante boa parte da tarde, parecia que o Brasil tinha o jogo sob controle. Criava, rondava a área, desperdiçava oportunidades e alimentava a velha sensação de que o gol seria apenas uma questão de tempo. Mas a Copa do Mundo não costuma perdoar quem confunde domínio com vitória.
A Noruega esperou. Não se desesperou diante da camisa amarela, nem se intimidou com a tradição de quem já levantou cinco taças. Defendeu-se com disciplina, contou com um goleiro inspirado e foi paciente o suficiente para deixar o relógio trabalhar a seu favor. Em mata-mata, cada minuto sem sofrer é um passo em direção ao improvável. O Brasil teve um pênalti: perdeu, com Bruno Guimarães.
Então apareceu Haaland. Bastaram poucos minutos para o centroavante transformar um jogo equilibrado em uma das maiores decepções recentes do futebol brasileiro. Primeiro, uma finalização precisa para abrir o placar, de cabeça, vencendo Gabriel Magalhães. Depois, quando o Brasil já atacava sem organização, veio o golpe definitivo: uma bola na entrada da área e... gol.
No fim, já nos acréscimos, Neymar, de pênalti, diminuiu. Teve provocação, início de bagunça e entrevero. Mas veio a queda e, com ela, a certeza que a convocação poderia ter sido melhor, que levaria a um desempenho melhor que a Era Tite. Com essa não foi. Danilo, Paquetá, Neymar e tantos outros poderiam ter visto a Copa de casa. Fim de um ciclo para muitos que já deveriam ter encerrado.
O Brasil deixa a Copa com um futebol pouco convincente. Diante de Marrocos, se assustou. Contra a Noruega, caiu. Os outros jogos foram contra equipes pouco inspuradas e o Japão, que optou pela retranca no intervalo.
No futebol, a história pesa, mas não entra em campo. A camisa assusta, mas não faz gols. Enquanto a Noruega escreveu um dos capítulos mais importantes de sua trajetória em Copas do Mundo, o Brasil volta para casa com mais perguntas do que respostas. E, mais uma vez, a certeza de que, no maior palco do futebol, quem desperdiça oportunidades costuma pagar um preço alto.
Quando o árbitro apitou o fim da partida, não foi apenas uma eliminação. Foi o silêncio de uma torcida inteira que acreditava em mais uma caminhada rumo ao hexacampeonato. Nos Estados Unidos, o samba parou. E quem seguiu dançando foi a Noruega. Aliás, remando.
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