
Um homem de 36 anos foi preso preventivamente pela Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), suspeito de fazer ameaças contra o próprio filho e relatar planos de ataques violentos em conversas com uma plataforma de inteligência artificial. A prisão ocorreu na última sexta-feira (19), na zona rural de São Gabriel da Palha, após informações compartilhadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pelo Federal Bureau of Investigation (FBI), dos Estados Unidos.
Além do mandado de prisão preventiva, os policiais cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência do investigado. O caso foi detalhado pela corporação durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (25), em Vitória.
Segundo a investigação, o homem utilizava uma ferramenta de inteligência artificial para descrever supostos planos criminosos. Entre as mensagens analisadas, ele afirmava que pretendia contratar um pistoleiro para matar o próprio filho com o objetivo de evitar o pagamento de pensão alimentícia à ex-companheira. Nas conversas, também mencionava a intenção de realizar ataques contra escolas, igrejas e autoridades públicas.
De acordo com o delegado Brenno Andrade, titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), a empresa responsável pela plataforma identificou o conteúdo e comunicou o FBI, que repassou as informações ao CyberLab, do Ministério da Justiça. Em seguida, o caso foi encaminhado à Polícia Civil do Espírito Santo.
As autoridades informaram que a denúncia foi recebida em 16 de junho. Nas mensagens, o investigado indicava que os crimes poderiam ocorrer no dia 20. Diante da gravidade das ameaças, a polícia representou pelas medidas judiciais e realizou a prisão no dia 19, antes da data mencionada pelo suspeito.
O homem foi abordado quando saía para o trabalho e, durante o interrogatório, admitiu ter realizado as pesquisas e interagido com a plataforma de inteligência artificial, mas negou que tivesse intenção de executar os crimes descritos.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para verificar se houve qualquer preparação concreta para colocar os planos em prática. O telefone celular apreendido durante a operação passará por perícia e será confrontado com o conteúdo das conversas obtidas ao longo da investigação.
Os investigadores também irão apurar se o suspeito chegou a manter contato com terceiros para eventual contratação de um executor ou se realizou outras ações relacionadas às ameaças.
Segundo a Polícia Civil, o caso evidencia a cooperação entre plataformas digitais, autoridades brasileiras e organismos internacionais no monitoramento de conteúdos considerados de alto risco. Conforme a corporação, informações sobre possíveis ameaças graves podem ser compartilhadas entre empresas de tecnologia e órgãos de segurança para permitir ações preventivas e evitar que crimes sejam consumados.
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