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STF julga nesta terça acusação contra Eduardo Bolsonaro por suposta coação em processo da trama golpista

Acusado pela PGR de pressionar autoridades brasileiras por meio de articulações nos Estados Unidos, ex-deputado será julgado pela Primeira Turma do Supremo; defesa pede absolvição e aponta falta de provas

16/06/2026 às 09h18
Por: Cristiane Cirilo
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Crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta terça-feira (16) a ação penal que acusa o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) do crime de coação no curso do processo. A decisão poderá resultar na condenação ou absolvição do parlamentar, que atualmente está nos Estados Unidos.

A acusação foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que sustenta que Eduardo Bolsonaro teria atuado junto ao governo norte-americano para pressionar autoridades brasileiras e criar um ambiente de intimidação em relação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, investigado por suposta participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Segundo a PGR, o ex-deputado buscou influenciar autoridades dos Estados Unidos para adotar medidas que impactassem ministros do STF e o próprio Brasil, com o objetivo de impedir a responsabilização criminal do ex-presidente.

O que será analisado

O crime de coação no curso do processo ocorre quando alguém utiliza violência ou grave ameaça para influenciar autoridades ou interferir no andamento de um processo judicial. A pena prevista varia de um a quatro anos de prisão.

O julgamento será conduzido pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes. Também participam da votação os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Flávio Dino, presidente da Primeira Turma.

Para condenação ou absolvição são necessários, no mínimo, três votos.

Acusação cita articulações nos Estados Unidos

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, as investigações reuniram documentos, entrevistas, publicações em redes sociais e trocas de mensagens que indicariam uma atuação coordenada de Eduardo Bolsonaro para pressionar integrantes do Judiciário brasileiro.

Entre os elementos apontados pela acusação estão declarações públicas do ex-deputado, manifestações de autoridades norte-americanas sobre o processo envolvendo Jair Bolsonaro, além de mensagens trocadas entre pai e filho sobre estratégias políticas e jurídicas.

A PGR argumenta que as ações teriam sido utilizadas como forma de ameaça para constranger autoridades responsáveis pelo julgamento da ação penal relacionada à tentativa de golpe.

Defesa pede absolvição

A defesa de Eduardo Bolsonaro será feita pela Defensoria Pública da União, que pediu a absolvição do ex-deputado por falta de provas.

A DPU também questiona a validade do processo, alegando irregularidades na citação do acusado e apontando impedimento do ministro Alexandre de Moraes para atuar no caso, por ser citado como uma das supostas vítimas das condutas investigadas.

Segundo a defesa, as manifestações atribuídas a Eduardo Bolsonaro estão protegidas pela liberdade de expressão e pela imunidade parlamentar, não configurando ameaça ou tentativa de interferência no Judiciário.

Possíveis consequências

Caso seja condenado, Eduardo Bolsonaro poderá enfrentar pena de prisão e também ficar inelegível, dependendo dos desdobramentos da decisão judicial e da legislação eleitoral.

O julgamento desta terça-feira é considerado um dos mais importantes relacionados às investigações sobre os atos que sucederam as eleições presidenciais de 2022 e deve ter forte repercussão política e jurídica no país.

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