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Ministério da Saúde aponta aumento de atendimentos por dependência em apostas no SUS

Em cinco anos, busca por serviços de saúde mental ligados ao vício em jogos on-line cresceu quase 140%; governo discute regulação mais rígida e propostas no Congresso que incluem até proibição das apostas digitais

29/05/2026 às 21h50
Por: Cristiane Cirilo
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Unsplash
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O Ministério da Saúde informou que, nos últimos cinco anos, houve um aumento de quase 140% na procura por atendimentos de saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados à dependência em jogos on-line. O dado foi apresentado durante audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Econômico.

No mesmo período, o Ministério da Fazenda divulgou que mais de 500 mil pessoas solicitaram a autoexclusão de plataformas de apostas digitais, por tempo indeterminado, principalmente após relatarem perda de controle sobre o hábito. A ferramenta está disponível na plataforma gov.br.

Os números foram debatidos em audiência pública solicitada pelo deputado Vander Loubet (PT-MS), que apoia o Projeto de Lei 1808/26, que propõe a proibição das apostas on-line no Brasil.

Atendimento no SUS e impacto do vício

Representando o Ministério da Saúde, Marcelo Dias afirmou que o governo lançou uma plataforma de atendimento on-line dentro do Meu SUS Digital para pessoas com problemas relacionados ao jogo. Antes do atendimento, o usuário realiza um autoteste para identificar o nível de dependência.

Segundo ele, a expansão do mercado de apostas ocorreu de forma mais intensa durante e após a pandemia de Covid-19, o que teria contribuído para o aumento dos casos de dependência.

“Ela começa ganhando, e isso a estimula a continuar jogando. Quando as perdas começam, entra em ação a tentativa de recuperar o dinheiro perdido. À medida que a dívida aumenta, cresce também a tendência de a pessoa continuar jogando”, explicou.

Regulação e práticas abusivas

O Ministério da Fazenda afirma que a regulação do setor reduziu o número de operadoras e buscou coibir práticas consideradas abusivas, como a publicidade que associa apostas a uma forma de renda complementar.

De acordo com Leandro Lucchesi, representante da pasta, o governo também trabalha na identificação de mecanismos de “design manipulativo” nos jogos.

“Um deles é o efeito de ‘quase ganho’, quando o apostador sente que esteve perto de vencer e tende a insistir. Outro é o ‘ganho negativo’, em que há perda real, mas o sistema apresenta o resultado como vitória, com mensagens e efeitos de comemoração”, explicou.

O governo também estuda classificar jogos por nível de risco e aprimorar o monitoramento do endividamento relacionado às apostas.

Números do setor

Segundo o Ministério da Fazenda, cerca de 25 milhões de brasileiros realizaram apostas em 2025, o equivalente a aproximadamente 18% da população adulta. O perfil predominante é de homens entre 18 e 50 anos.

Ainda de acordo com os dados, os apostadores teriam perdido cerca de R$ 38 bilhões no último ano. O volume total movimentado no setor seria quase dez vezes maior. Metade dos usuários gastou até R$ 50 em algum mês, enquanto cerca de 20% chegaram a apostar aproximadamente R$ 1.000.

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