
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Polícia Federal anunciaram, nesta quarta-feira (6), uma cooperação técnica para a análise conjunta de medicamentos irregulares à base de GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”. A iniciativa busca identificar a composição real dos produtos apreendidos e fortalecer tanto a vigilância sanitária quanto as investigações criminais.
De acordo com nota técnica divulgada pelos órgãos, a atuação integrada tem como foco combater a produção, importação e comercialização ilegal desses medicamentos. As análises laboratoriais serão realizadas por peritos da Polícia Federal, com suporte técnico da Anvisa, e os resultados poderão ser incorporados a inquéritos em curso.
Para o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, a cooperação amplia a capacidade de resposta do Estado diante de um mercado clandestino em expansão. Segundo ele, a verificação técnica dos produtos é fundamental para mensurar os riscos à saúde e também para desarticular cadeias criminosas organizadas, muitas vezes com atuação interestadual e presença em plataformas digitais.
Entre as irregularidades mais frequentes estão o contrabando de medicamentos sem registro no Brasil e a manipulação em condições inadequadas, o que compromete a segurança e a eficácia dos produtos. Sem controle de qualidade, esses itens não oferecem garantia de composição, pureza ou armazenamento adequado, elevando o risco de contaminação e de falhas terapêuticas.
O comércio de medicamentos irregulares é considerado crime pelo Código Penal. As autoridades alertam que o uso desses produtos, frequentemente sem prescrição médica, amplia os riscos à saúde da população.
Dados da Anvisa apontam aumento significativo de eventos adversos relacionados ao uso de agonistas do GLP-1. Entre 2018 e 2026, foram registradas cerca de 3 mil notificações, sendo quase metade apenas em 2025. Há relatos de casos graves, incluindo mortes, embora nem todos tenham relação causal comprovada com os medicamentos.
No âmbito das investigações, a Polícia Federal identificou esquemas complexos de distribuição ilegal, com circulação interestadual e venda em larga escala por meio de plataformas digitais. Também há indícios de importação irregular de insumos, ampliando a dimensão das práticas ilícitas.
As ações de fiscalização realizadas em 2026 reforçam o cenário de irregularidades. Entre janeiro e abril, a Anvisa inspecionou 26 estabelecimentos, resultando na interdição de 8 deles por falhas graves e ausência de controle de qualidade. No período, foram apreendidas mais de 1,3 milhão de unidades de medicamentos injetáveis irregulares, além da adoção de diversas medidas restritivas.
Em operação conjunta realizada em abril, em 12 estados, foram identificadas transações suspeitas que somam R$ 4,8 milhões, envolvendo substâncias como a tirzepatida. A quantidade apreendida seria suficiente para a produção de mais de 1 milhão de dispositivos injetáveis. Também foram encontrados mais de 17 mil frascos manipulados irregularmente e, em três estados, a presença de retatrutida, substância ainda não autorizada por agências reguladoras.
A expectativa é que a cooperação entre Anvisa e Polícia Federal amplie a efetividade das ações de fiscalização, prevenção e repressão, contribuindo para reduzir a circulação de produtos irregulares e proteger a saúde pública.
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