18°C 30°C
Belo Horizonte, MG
Publicidade

Emprego formal de mulheres negras cresce 29% em dois anos, mas desigualdade salarial se amplia

Na comparação geral, o total de mulheres empregadas formalmente também cresceu, mas em ritmo menor

28/04/2026 às 09h23
Por: Cristiane Cirilo
Compartilhe:
Pexels
Pexels

O mercado de trabalho formal brasileiro registrou um avanço expressivo na inclusão de mulheres, especialmente negras, entre 2023 e 2025. Dados do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgados pelo governo federal na segunda-feira (27), mostram que o número de mulheres pretas e pardas empregadas em empresas com 100 ou mais funcionários saltou de 3,2 milhões para 4,2 milhões no período, uma alta de 29%, equivalente a mais de 1 milhão de novas contratações.

Na comparação geral, o total de mulheres empregadas formalmente também cresceu, mas em ritmo menor: 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões. O movimento acompanha a expansão do emprego no país e sinaliza maior participação feminina em grandes empresas, tradicionalmente mais estruturadas e com maior capacidade de geração de postos formais.

Apesar do avanço, o relatório evidencia que a desigualdade salarial entre homens e mulheres não apenas persiste como se agravou no período.

Segundo o levantamento, mulheres receberam, em média, 21,3% a menos que homens em 2025 em empresas com 100 ou mais empregados. Em 2023, essa diferença era de 20,7%. A disparidade também aparece no momento da contratação: o salário inicial feminino foi, em média, 14,3% inferior ao masculino acima dos 13,7% registrados dois anos antes.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o debate sobre igualdade salarial vai além da equiparação nominal de salários. “Estamos falando da função que essa mulher ocupa, das condições de trabalho e dos direitos que muitas vezes não são cumpridos”, disse. Segundo ela, fatores estruturais e culturais ainda contribuem para a manutenção das desigualdades.

O estudo aponta que a discrepância salarial tem efeitos relevantes na economia. Para que a massa de rendimentos das mulheres acompanhasse sua participação no mercado formal, atualmente em 41,4%, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões anuais na remuneração feminina.

Essa equiparação poderia elevar em mais de 10% a massa total de rendimentos do país, indicando que a redução da desigualdade salarial também teria impacto direto no crescimento econômico e na distribuição de renda.

A desigualdade salarial se comporta de maneira distinta de acordo com o tamanho das empresas. Em estabelecimentos com até 250 funcionários, a remuneração de admissão das mulheres chega a cerca de 90% da paga aos homens. Já nas grandes empresas, onde os salários são mais elevados, a diferença tende a ser maior.

O levantamento também mostra crescimento no número de empresas com políticas de promoção da equidade. O total de estabelecimentos com presença feminina em cargos de gerência e direção suficientes para análise de paridade aumentou 12%, chegando a 13,7 mil.

Entre as iniciativas voltadas à inclusão, 7% das empresas declararam adotar políticas de contratação de mulheres vítimas de violência. Estados como Minas Gerais e Espírito Santo aparecem entre os destaques nesse tipo de ação.

Minas Gerais lidera, ainda, na adoção de políticas gerais de incentivo à contratação de mulheres, presentes em 34,7% dos estabelecimentos. O estado também figura entre os que mais implementam ações voltadas à inclusão de mulheres LGBTQIAP+ no mercado de trabalho.

Apesar dos avanços, especialistas e autoridades ressaltam que os números ainda revelam um cenário de desigualdade estrutural. Para o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a equiparação salarial é apenas uma parte do desafio. “É preciso garantir também a valorização e a ascensão das mulheres nas carreiras”, afirmou.

O relatório indica ainda que o número de empresas com 100 ou mais empregados cresceu 5,5% no período, passando de 50,7 mil para 53,5 mil. Já o total de vínculos formais nessas companhias aumentou 7%, alcançando 19,3 milhões de trabalhadores.

Com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), o estudo mostra que o salário médio nesses estabelecimentos é de R$ 4.594,89, enquanto o salário mediano contratual é de R$ 2.295,36.

Os dados reforçam um cenário de expansão do emprego formal, combinado com avanços na inclusão de grupos historicamente sub-representados, mas também evidenciam que a redução das desigualdades de gênero e raça no mercado de trabalho ainda é um desafio em aberto no país.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.