
O governo federal confirmou que irá aumentar o teor de etanol na gasolina dos atuais 30% para 32% ainda no primeiro semestre deste ano. A medida foi anunciada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), e tem como objetivo reduzir a dependência do Brasil de combustíveis fósseis importados, além de proteger o mercado interno das oscilações do preço internacional do petróleo.
Segundo o ministro, a mudança faz parte da implementação gradual das diretrizes da Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2025, que incentiva o uso de fontes renováveis na matriz energética brasileira e prevê, inclusive, a possibilidade de ampliação do percentual para até 35%.
“Quero aqui, em primeira mão, dizer que nós queremos fazer o E32 (gasolina com 32% de etanol) em breve, ainda no primeiro semestre deste ano”, afirmou Silveira durante participação no evento Latam Energy Week, no Rio de Janeiro.
A decisão ocorre em um contexto de instabilidade no mercado internacional de petróleo, agravada por conflitos geopolíticos recentes, como a Guerra do Irã, o que tem pressionado os preços globais dos combustíveis. Em resposta semelhante, a Argentina também ampliou o uso de etanol na gasolina, autorizando mistura de até 15% para conter aumentos de preços.
No Brasil, a maior parte da frota deve se adaptar sem grandes impactos. Cerca de 80% dos veículos em circulação são flex, tecnologia que permite o uso de gasolina e etanol em qualquer proporção, sem prejuízos ao funcionamento.
Por outro lado, veículos movidos exclusivamente a gasolina podem apresentar alterações no desempenho, como aumento no consumo e funcionamento irregular do motor. Especialistas também alertam que o uso prolongado pode gerar maior desgaste de componentes e dificuldades na partida.
O governo já conduz estudos em parceria com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), universidades e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas para avaliar a viabilidade de ampliar ainda mais a mistura, chegando a 35% (E35). O projeto prevê investimentos de cerca de R$ 30 milhões até 2029, com testes laboratoriais, análises de durabilidade e avaliação de emissões.
Com a medida, o governo aposta no fortalecimento do etanol como alternativa energética e no avanço da política de descarbonização do setor de transportes no país.
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