
Uma vistoria realizada no Ceresp Gameleira, localizado na Região Oeste de Belo Horizonte, apontou um cenário preocupante de superlotação e falta de policiais penais na unidade. Segundo o levantamento, a proporção de detentos por agente chega a ser 13 vezes superior ao limite considerado adequado.
Durante a inspeção, foi constatado que o presídio abrigava cerca de 1.928 presos, embora tenha sido projetado para comportar apenas 789.
O número de profissionais também é insuficiente: aproximadamente 30 policiais penais atuam na unidade, quando o ideal seria uma média de um agente para até cinco detentos. Na prática, cada servidor chega a ser responsável por mais de 60 presos. O relatório aponta uma série de problemas dentro da unidade. Em algumas celas, dezenas de detentos dividem espaços reduzidos e sem condições básicas.
Há registros de falta de colchões, ausência de energia elétrica e falhas no sistema sanitário, incluindo celas sem descarga. Também foram identificados lixo acumulado, esgoto a céu aberto, presença de pragas e casos de doenças de pele. Além disso, a assistência médica é considerada insuficiente para atender à demanda.
Diante do cenário, a Justiça determinou que o governo de Minas Gerais apresente, em até 15 dias, um plano de ação para melhorar as condições do local.
A situação é ainda mais grave devido ao registro de pelo menos quatro mortes de detentos em um intervalo de 16 dias dentro da unidade.
Criado para funcionar como local de passagem entre a prisão em flagrante e a audiência de custódia, o Ceresp Gameleira acaba mantendo detentos por períodos mais longos, inclusive já condenados, sem estrutura adequada para esse tipo de permanência.
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