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Mineração gera medo e angústia em moradores de Ouro Preto durante reunião na ALMG

Comissão de Meio Ambiente ouviu relatos de adoecimento mental, insegurança e críticas à atuação da Vale na comunidade de Antônio Pereira

05/05/2026 às 10h39
Por: Cristiane Cirilo
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Movimento dos Atingidos por Barragens
Movimento dos Atingidos por Barragens

Moradores do distrito de Antônio Pereira, em Ouro Preto, relataram medo, insegurança e impactos na saúde mental causados pela presença e histórico de atividades minerárias na região. As denúncias foram apresentadas na segunda-feira (4), durante reunião da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

A comunidade vive na área de influência da barragem de Doutor, da mineradora Vale, que teve suas operações encerradas há quase sete anos, mas ainda não teve o processo de descaracterização concluído. Segundo os moradores, a sensação de risco permanece constante.

Durante o encontro, a deputada Bella Gonçalves (PT) destacou relatos de sofrimento psicológico entre os moradores, que descrevem um ambiente de medo contínuo diante da possibilidade de rompimento da estrutura. Segundo ela, há registros de uma “pandemia de adoecimento mental” na comunidade.

Moradores afirmaram que a falta de informações claras e a realização de simulações de evacuação contribuem para o aumento da insegurança. Também foram relatadas pressões em negociações de indenização para famílias que vivem na chamada área de inundação.

A barragem de Doutor ainda armazena mais de 30 milhões de metros cúbicos de rejeitos, mesmo com parte do processo de descaracterização já executado. Moradores defendem a retirada total do material e criticam a condução do processo pela mineradora.

Representantes da Vale afirmaram que o processo de descaracterização segue em andamento e que medidas de segurança vêm sendo adotadas. A empresa também declarou que não há risco de rompimento e que parte da água da estrutura já foi drenada.

Segundo a mineradora, o trabalho deve ser concluído até 2029 e inclui indenizações às famílias que vivem na área de risco. Até o momento, cerca de 181 famílias já teriam sido indenizadas.

A comissão também ouviu relatos de moradores da comunidade de Botafogo, que demonstraram preocupação com o avanço da mineração na região da Serra de Ouro Preto, apontada como estratégica para o abastecimento de água local.

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