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Ministério Público denuncia médica por morte de paciente durante procedimento estético, em Montes Claros

Mulher de 42 anos morreu após procedimento estético realizado em consultório sem estrutura adequada; Ministério Público pede que caso seja julgado pelo Tribunal do Júri.

16/03/2026 às 17h29 Atualizada em 16/03/2026 às 17h33
Por: Marina Menta
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Imagem: Reprodução I Banco de Imagens
Imagem: Reprodução I Banco de Imagens

Uma médica de 28 anos foi denunciada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pela morte de uma paciente durante um procedimento estético conhecido como “mini lipo”, realizado em 2025 em Montes Claros, no norte de Minas Gerais. 

A denúncia foi apresentada nesta segunda-feira (16) e acusa a profissional de homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte.

De acordo com o MPMG, a vítima, uma esteticista de 42 anos natural de Porteirinha, também no norte do estado, morreu após se submeter à chamada Mini Extração Lipídica Ambulatorial (MELA), procedimento utilizado para retirada de gordura localizada.

Segundo as investigações, o procedimento foi realizado em 11 de dezembro de 2025 em um consultório alugado que funcionava originalmente como sala de fisioterapia e não possuía estrutura adequada de centro cirúrgico.

Durante a intervenção, a paciente apresentou complicações graves e sofreu parada cardiorrespiratória. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegaram a realizar manobras de ressuscitação por cerca de 20 minutos, mas a morte foi confirmada ainda no local.

O laudo apontou que a paciente sofreu choque hemorrágico após perfuração da artéria femoral, causada pela introdução da cânula, instrumento utilizado na lipoaspiração, em profundidade considerada incompatível com a segurança do procedimento.

A investigação também apontou que a médica havia se formado há cerca de um ano e não possuía especialização em cirurgia plástica.

Além disso, o procedimento teria sido realizado sem equipamentos básicos de monitoramento e emergência, como desfibrilador e sistema de oxigênio. A profissional também teria administrado sedação venosa com propofol sem a presença de um anestesiologista.

Para o Ministério Público, a conduta foi motivada por interesse econômico ao oferecer procedimentos estéticos de baixo custo sem garantir as condições necessárias de segurança e equipe técnica.

Com a denúncia, o MPMG pediu que a médica seja submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri, por se tratar de crime contra a vida. O órgão também solicitou a fixação de indenização mínima aos familiares da vítima.

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