
O pagamento por carnê voltou a ganhar espaço no comércio de Belo Horizonte e já é utilizado por cerca de 30% dos consumidores que recorrem ao crediário nas lojas.
Levantamento da Fecomércio Minas Gerais mostra que o uso da modalidade mais que dobrou nos últimos seis anos, impulsionado principalmente pelo limite estourado do cartão de crédito e pelo acesso mais restrito ao crédito tradicional.
Segundo a pesquisa, 30,6% dos consumidores utilizam carnê nas compras atualmente. Em janeiro de 2020, o índice era de 13,7%, o que representa um crescimento de 16,9 pontos percentuais no período, mais que o dobro do registrado seis anos atrás.
De acordo com especialistas do setor, o avanço do carnê está diretamente ligado ao alto comprometimento da renda das famílias com o cartão de crédito, que muitas vezes já é utilizado para despesas básicas do dia a dia.
Com menos limite disponível no cartão, consumidores recorrem ao crediário das próprias lojas para parcelar produtos de maior valor, como eletrodomésticos e eletrônicos, mantendo o consumo mesmo em meio ao aperto financeiro.
Embora tenha perdido espaço nos últimos anos com a popularização do cartão e dos meios digitais de pagamento, o carnê voltou a ser adotado por varejistas como estratégia para manter o volume de vendas e ampliar o acesso ao crédito para clientes.
O movimento também está relacionado ao alto nível de endividamento das famílias. Levantamentos indicam que mais de 96% dos consumidores endividados da capital possuem dívidas no cartão de crédito, o que limita novas compras nessa modalidade e abre espaço para formas alternativas de parcelamento.
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