
Quatro policiais civis foram presos temporariamente nesta terça-feira (3) durante a Operação Carga Pesada II, que investiga crimes de roubo e furto de cargas em Minas Gerais. Os detidos são três investigadores e um escrivão ligados ao Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio da Polícia Civil.
De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais, os agentes são suspeitos de extorquir integrantes de uma quadrilha especializada em roubo de cargas de café que atuava na região de Patos de Minas, no Triângulo Mineiro.
Segundo as investigações, os policiais identificaram a organização criminosa durante apuração de um roubo ocorrido no município de Córrego Dantas. No entanto, em vez de realizar as prisões, teriam solicitado vantagem indevida aos criminosos para interromper a investigação.
O promotor de Justiça Lucas Romão informou que há indícios de que os agentes receberam valores que podem chegar a cerca de R$ 250 mil. As apurações iniciais indicavam pedidos que poderiam alcançar aproximadamente R$ 500 mil.
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão nas cidades de Belo Horizonte e Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana da capital.
A operação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público, em conjunto com a Polícia Militar de Minas Gerais e a Corregedoria da Polícia Civil.
O objetivo é investigar crimes contra a administração pública e apurar a possível atuação de servidores da corporação em benefício da organização criminosa.
A Operação Carga Pesada II é um desdobramento da primeira fase da investigação, realizada em junho de 2025. Na ocasião, foram cumpridos 25 mandados de prisão e 22 de busca e apreensão em cidades de Minas Gerais, além de Pernambuco e Ceará.
Segundo o Ministério Público, a quadrilha tinha base em Patrocínio, no Alto Paranaíba, e era especializada no roubo e furto de cargas de alto valor, principalmente de café.
Os crimes envolviam grave ameaça com uso de armas de fogo, fraudes para desvio de mercadorias e participação de motoristas ligados ao esquema.
O prejuízo estimado ultrapassa R$ 5 milhões. Na primeira fase da operação, 24 pessoas foram presas e foram apreendidos veículos, armas, munições, dinheiro, joias, documentos e equipamentos eletrônicos.
Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que qualquer desvio de conduta atribuído a servidores será rigorosamente apurado.
A instituição afirmou que as investigações ocorrerão tanto na esfera administrativa quanto por meio da Corregedoria-Geral, com acompanhamento dos órgãos de fiscalização e do sistema de Justiça.
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