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Brasil inicia projeto-piloto de vacina contra chikungunya em quatro cidades de Minas

Imunizante aprovado em 2025 é aplicado em municípios selecionados e ainda não tem previsão de oferta ampla

24/02/2026 às 16h48
Por: Vitória Carneiro
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Divulgação/Sedese
Divulgação/Sedese

O Brasil iniciou, no começo de fevereiro de 2026, a aplicação da vacina contra chikungunya em formato de projeto-piloto.

Segundo informações do Ministério da Saúde, a primeira cidade a aplicar o imunizante foi Mirassol, no interior de São Paulo, em estratégia que envolve o governo paulista e secretarias municipais de dez municípios selecionados. Em Minas Gerais, participam Sabará, Congonhas, Sete Lagoas e Santa Luzia. Sabará foi o primeiro município mineiro a iniciar a aplicação da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a empresa de biotecnologia Valneva.

A vacina foi aprovada em abril de 2025 e é considerada a primeira do mundo desenvolvida contra a chikungunya, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, também vetor da dengue. O imunizante já recebeu autorização da FDA, nos Estados Unidos, e da EMA, na União Europeia. A versão desenvolvida pelo Butantan ainda passará por adequações antes de possível incorporação em programas públicos de saúde no Brasil.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a vacina é indicada para pessoas com 18 anos ou mais que tenham risco aumentado de exposição ao vírus. É contraindicada para gestantes, pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas.

Em estudo realizado nos Estados Unidos com cerca de 4 mil voluntários entre 18 e 65 anos, 98,9% dos participantes produziram anticorpos contra o vírus, com manutenção dos níveis por pelo menos seis meses. Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet em junho de 2023. Já estudo clínico de fase 3 com adolescentes brasileiros mostrou anticorpos neutralizantes em 100% dos voluntários com infecção prévia e em 98,8% daqueles sem contato anterior com o vírus. A proteção se manteve em 99,1% após seis meses, conforme publicação na The Lancet Infectious Diseases. A maioria dos eventos adversos foi classificada como leve ou moderada, incluindo dor de cabeça, dor no corpo, fadiga e febre.

O imunizante utiliza vírus vivo atenuado, versão enfraquecida do vírus capaz de estimular o sistema imunológico sem causar a doença. Atualmente, a fabricação ocorre na Alemanha, pela empresa IDT Biologika GmbH, mas o Butantan prevê produzir a vacina no Brasil futuramente.

A aprovação pela Anvisa considerou dados de qualidade, produção, eficácia e segurança. A agência participou como convidada da avaliação da vacina pela EMA dentro do projeto Open, que permite análises simultâneas por diferentes autoridades regulatórias, além de contar com avaliação independente de especialistas vinculados à Câmara Técnica de Medicamentos.

Ainda não há previsão para oferta ampla da vacina à população. O Butantan trabalha na adaptação do processo produtivo para ampliar a capacidade de fabricação no país.

Sobre a doença, o vírus chikungunya pode provocar febre alta, dor intensa nas articulações, dor de cabeça, dores musculares e manchas vermelhas na pele. Uma das principais complicações é a dor articular crônica, que pode persistir por anos. Até o fim de agosto de 2024, o Brasil registrou 254.651 casos prováveis, alta de 45,5% em relação ao mesmo período de 2023.

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