
Clientes de uma clínica de estética e depilação a laser em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, denunciam terem sido vítimas de um possível golpe após o fechamento repentino da unidade às vésperas do Carnaval. Segundo relatos, a Clínica Lunare cancelou atendimentos, deixou de responder mensagens, desativou as redes sociais e retirou equipamentos do imóvel sem aviso prévio.
A cliente Fernanda Mendes afirma que adquiriu dois pacotes: um de barba para o marido, por cerca de R$ 300, e outro completo de axila e virilha, por mais de R$ 1.100. Ela realizou três sessões; o marido, apenas uma.
“Remarcaram minhas sessões pelo menos quatro vezes, com desculpas como falta de luz e mal-estar. Depois pararam de responder. Agendaram para a Quarta-feira de Cinzas, cheguei lá às 15h e estava fechado. O Instagram já tinha sido desativado”, relatou.
No local, ela encontrou outra cliente que também aguardava atendimento e não tinha informações sobre o ocorrido.
A cliente Cibele do Carmo também afirma ter sido surpreendida. Segundo ela, já havia um pacote ativo para o marido e, em janeiro, contratou outro para si.
“Na quinta-feira antes do Carnaval, mandaram mensagem cancelando pela segunda vez o atendimento do meu marido, que seria na sexta. Depois disso, simplesmente sumiram”, contou.
Cibele afirma que efetuou o pagamento no cartão de crédito, mas não recebeu contrato formal. “Queria entender como registrar o boletim de ocorrência sem contrato. Passei o cartão normalmente, mas nada foi feito”, disse.
Delizete Liberato, uma das clientes encontradas na porta do estabelecimento nesta segunda-feira (19), relatou que conversou com uma funcionária da clínica. Segundo ela, a proprietária teria procurado as colaboradoras para comunicar a demissão de todas. A informação foi confirmada por esta funcionária, que não quis se identitificar. “A empresa fechou na sexta-feira e fomos todas demitidas”.
Delizete afirma ter tido um prejuízo superior a R$ 5 mil com pacotes contratados e não concluídos.
De acordo com relatos de funcionários do salão vizinho da frente Flor de Liz, no sábado de Carnaval (14), houve movimentação intensa no imóvel. Três carros e um caminhão teriam sido utilizados para retirar móveis e aparelhos. Funcionários teriam dito que entrariam em contato com os clientes posteriormente, o que não ocorreu.
Consumidores afirmam ainda que, nos meses anteriores, a clínica realizou campanhas promocionais, como ações de “Black November” e descontos em dezembro e janeiro, atraindo novos contratos pouco antes do encerramento das atividades.
Em grupos de redes sociais da cidade, outros relatos semelhantes começaram a surgir, indicando que o número de possíveis prejudicados pode ser maior.
Especialistas orientam que clientes lesados registrem boletim de ocorrência, procurem o Procon e reúnam todos os comprovantes disponíveis, como faturas do cartão, conversas por mensagem, recibos e anúncios das promoções. Também é possível solicitar a contestação da cobrança junto à operadora do cartão, dependendo do prazo e das regras da administradora.
A reportagem tentou contato com responsáveis pela clínica pelos canais anteriormente divulgados, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. As redes sociais da empresa seguem fora do ar.
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