
Já está em funcionamento, no Carnaval de Belo Horizonte, um sistema de reconhecimento facial voltado à localização de pessoas desaparecidas. A tecnologia opera por meio de câmeras instaladas em vias do Hipercentro e monitoradas pelo Centro Integrado de Operações de Belo Horizonte (COP-BH), utilizando inteligência artificial para identificar compatibilidades faciais e cruzar dados com cadastros oficiais.
Após a identificação, a Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte é acionada para realizar a abordagem em campo, seguindo protocolo humanizado e sem caráter coercitivo. A pessoa localizada é encaminhada, conforme o caso, à rede de proteção social, de saúde ou aos familiares, respeitando os direitos individuais e os critérios legais.
No caso de menores de 18 anos, o procedimento prevê encaminhamento imediato ao Conselho Tutelar. Para adultos que não pertencem a grupos vulneráveis, a abordagem inclui verificação de possíveis transtornos mentais, oferta de contato com familiares e, se houver recusa, registro formal de termo de desinteresse. Em situações envolvendo pessoas em surto, dependência química ou indícios de doença mental, o Samu pode ser acionado, além da comunicação à Polícia Civil.
Idosos com demência ou Doença de Alzheimer são encaminhados com acionamento da família, da assistência social e da rede de saúde. Já mulheres em situação de vulnerabilidade, com indícios de violência doméstica, recebem atendimento especializado, com possibilidade de medidas protetivas, atuação do Grupamento de Proteção à Mulher da Guarda Municipal e encaminhamento para acolhimento institucional.
O sistema utiliza 16 câmeras com reconhecimento facial distribuídas pelo Hipercentro. As imagens são cruzadas com o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas e com o banco de dados da Polícia Federal, permitindo identificação mais rápida em ambientes de grande circulação.
Somente em 2025, mais de 9 mil pessoas foram registradas como desaparecidas em Minas Gerais, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, o que reforça a relevância da iniciativa em um evento de grande porte como o Carnaval.
Projeto-piloto e integração institucional
A capital mineira foi escolhida para testar a tecnologia durante a folia por sediar uma das maiores festas de rua do país. A ação integra um projeto-piloto coordenado pela Secretaria Municipal de Segurança e Prevenção, em parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública, por meio da Diretoria do Sistema Único de Segurança Pública.
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