
Belo Horizonte passou a contar oficialmente com o Dia Municipal do Gari, criado por lei sancionada nesta sexta-feira (9) e publicada no Diário Oficial do Município. A data escolhida, 11 de agosto, remete ao dia em que o gari Laudemir Fernandes foi morto a tiros enquanto trabalhava no bairro Nova Vista, episódio que gerou ampla comoção e debate público sobre a segurança e a valorização desses profissionais.
Laudemir realizava suas atividades na coleta de lixo quando foi atingido por um disparo efetuado por Renê da Silva Nogueira Júnior, que confessou o crime. Durante o andamento do processo, o autor apresentou versões diferentes sobre a intenção do disparo e chegou a atribuir a ação a terceiros. Conforme apurado à época, o crime ocorreu após um desentendimento no trânsito envolvendo o caminhão de coleta, quando o gari foi baleado.
A criação da data é resultado de um projeto apresentado pelo vereador Bruno Pedralva (PT) e aprovado pela Câmara Municipal. Ao justificar a proposta, o parlamentar destacou o papel essencial dos garis para o funcionamento da cidade, ressaltando que se trata de uma categoria diretamente ligada à saúde pública, à limpeza urbana e à qualidade de vida da população. Para o autor, o reconhecimento institucional busca dar visibilidade a um trabalho frequentemente exercido em condições adversas e com pouca valorização social.
De acordo com o texto que embasou a lei, a homenagem vai além do caráter simbólico. A iniciativa é apresentada como uma forma de reparação e de afirmação da importância desses trabalhadores, que atuam diariamente na manutenção dos espaços públicos e na prevenção de problemas ambientais e sanitários. O vereador também argumenta que a morte de Laudemir evidenciou a vulnerabilidade enfrentada pelos garis e a necessidade de maior proteção e respeito à categoria.
Com a sanção da lei, o Dia do Gari passa a integrar o calendário oficial de Belo Horizonte, abrindo espaço para ações de valorização, reflexão e reconhecimento do trabalho desempenhado pelos profissionais da limpeza urbana, ao mesmo tempo em que mantém viva a memória de Laudemir Fernandes e o debate sobre segurança e dignidade no exercício da função.
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