
Anunciado como alternativa para viabilizar obras de grande porte no Anel Rodoviário, o financiamento de R$ 1 bilhão pretendido pela Prefeitura de Belo Horizonte ainda não tem data definida para sair do papel. O recurso, negociado junto ao Novo Banco de Desenvolvimento, depende de autorização da Câmara Municipal de Belo Horizonte, cuja análise ficou para fevereiro de 2026 em razão do recesso parlamentar.
O acordo foi articulado em outubro, durante viagem do prefeito Álvaro Damião à China, onde se reuniu com a então presidente do banco, Dilma Rousseff. Apesar disso, o projeto de lei solicitando autorização para a contratação do empréstimo só foi encaminhado ao Legislativo municipal no início de dezembro, o que atrasou o início da tramitação.
Segundo a prefeitura, o montante deverá financiar ao menos três das oito intervenções estruturantes previstas para o Anel Rodoviário. Entre as obras citadas estão melhorias nos entroncamentos das avenidas Amazonas e Presidente Antônio Carlos, além de intervenções na altura da Praça São Vicente, no bairro Padre Eustáquio, região Noroeste da capital. As propostas incluem ampliação de viadutos, implantação de novas estruturas elevadas, alças viárias e passarelas para pedestres.
Como a ementa do projeto ainda não foi publicada, o texto não começou a tramitar formalmente na Câmara. Ainda assim, a avaliação nos bastidores é de que o Executivo não deve enfrentar grande resistência. Ao longo do último ano, o relacionamento entre os vereadores e a prefeitura foi marcado por alinhamento, o que resultou, por exemplo, na aprovação de outros financiamentos que somam R$ 1,4 bilhão para projetos de mobilidade, habitação e meio ambiente.
Caso receba sinal verde do Legislativo, o empréstimo poderá destravar intervenções anunciadas originalmente em 2023, ainda durante a gestão do então prefeito Fuad Noman. As tratativas para viabilizar as obras ganharam força após a municipalização do Anel Rodoviário, concluída em junho de 2025, quando a via deixou de ser administrada pela União e passou à responsabilidade do município.
A expectativa por melhorias é reforçada pelos dados de segurança viária. O Anel Rodoviário concentra a maior parte das mortes no trânsito de Belo Horizonte, por ser ponto de ligação entre as rodovias federais BR-040, BR-262 e BR-381. Especialistas em mobilidade apontam que o traçado antigo e a falta de investimentos contínuos contribuíram para o alto índice de acidentes, defendendo intervenções que priorizem a redução da letalidade, a requalificação das interseções e a ampliação da capacidade da via.
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