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Bolsonaro atribui ação na tornozeleira a “alucinação” durante audiência de custódia

Ex-presidente disse ter agido sob efeito de remédios e negou intenção de fuga; prisão preventiva foi mantida

24/11/2025 às 11h00
Por: Cristiane Cirilo
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Foto: REUTERS/Diego Herculano
Foto: REUTERS/Diego Herculano

O ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou, durante audiência de custódia realizada neste domingo (23/11), que tentou abrir sua tornozeleira eletrônica após sofrer o que descreveu como uma “alucinação”. Segundo ele, a ação ocorreu na madrugada de sábado, quando acreditou que havia “alguma escuta” instalada no equipamento que o monitorava em prisão domiciliar. O relato consta na ata divulgada pelo Supremo Tribunal Federal, que confirmou a manutenção da prisão preventiva.

A audiência, conduzida por videoconferência a partir da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, durou cerca de 30 minutos e foi acompanhada por um de seus advogados. Bolsonaro declarou que estava sob efeito de medicamentos prescritos por médicos distintos, cujas interações teriam provocado paranoia e insônia. Ele disse ter usado um ferro de solda para mexer na tornozeleira, mas afirmou que interrompeu a ação ao “cair na razão”, comunicando em seguida os agentes responsáveis por sua custódia.

Bolsonaro relatou ainda que estava em casa com a filha, um irmão e um assessor, todos dormindo no momento da tentativa de abrir o dispositivo. Na audiência, negou qualquer intenção de fuga e afirmou que não houve rompimento da cinta da tornozeleira, ressaltando que a única ocasião anterior em que o equipamento se rompeu foi durante a realização de um exame médico.

A decisão de mantê-lo preso preventivamente foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes no sábado, com base em indícios de tentativa de violação do monitoramento e na convocação de uma vigília por parte do senador Flávio Bolsonaro, marcada para ocorrer perto da casa do ex-presidente. Para Moraes, a manifestação poderia criar tumulto e facilitar uma eventual fuga, além de repetir padrões de mobilização usados em episódios investigados como parte de organização criminosa.

O ministro também mencionou a proximidade da residência de Bolsonaro com o Setor de Embaixadas de Brasília como fator de risco. Após a prisão, a defesa classificou a decisão como “perplexa” e afirmou que recorrerá, argumentando que o estado de saúde do ex-presidente é delicado e poderia ser agravado com a detenção.

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