O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reuniu milhares de apoiadores na manhã deste domingo (16), na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, em um ato político que defende a anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e faz oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O evento ocorre dias após a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar denúncia contra Bolsonaro e outros 33 investigados por tentativa de golpe de Estado.
Organizado pelo ex-presidente e financiado pelo pastor Silas Malafaia, o ato teve como principais bandeiras a aprovação do chamado PL da Anistia e o slogan “Fora Lula 2026”, além de pautas como liberdade de expressão, segurança e custo de vida. Bolsonaro já havia antecipado que seu discurso se concentraria na defesa do projeto, que busca anular as penas dos condenados pelas invasões e depredações das sedes dos Três Poderes, em Brasília.
A decisão de concentrar o evento apenas no Rio de Janeiro levou ao cancelamento de manifestações que estavam previstas em outras capitais, como São Paulo, Belo Horizonte e Goiânia. Segundo aliados do ex-presidente, a estratégia visou maximizar a adesão e centralizar os holofotes na orla carioca, criando uma demonstração de força política. Antes do ato, Bolsonaro participou de uma motociata com apoiadores.
O evento contou com a presença de diversas figuras políticas, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG), além do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Também estiveram no ato os filhos do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), além do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).
Lideranças do PL no Congresso Nacional, como o senador Carlos Portinho (RJ) e o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), também marcaram presença. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher, não compareceu por motivos de saúde, mas convocou apoiadores pelas redes sociais.
A manifestação acontece em um momento crucial para Bolsonaro e seu grupo político. O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para os dias 25 e 26 de março o julgamento que decidirá se o ex-presidente e outros acusados se tornarão réus pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Flávio Bolsonaro classificou o ato como “o mais importante movimento pelo resgate da democracia no Brasil” e afirmou que a manifestação também era um gesto humanitário em apoio aos que chamou de “perseguidos políticos”. Já o deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) defendeu a anistia como um passo necessário para a “reconciliação nacional”.
Nos bastidores, a expectativa era de que a escolha de Copacabana para sediar um único ato de grande porte ajudasse a reforçar a percepção de que Bolsonaro ainda mantém uma base política expressiva, mesmo após ter sido condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e se tornado inelegível até 2030.
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