Após anos de luta por parte das famílias e um impasse que adiou sua apresentação, o "Memorial Brumadinho", dedicado às 272 vítimas do rompimento da barragem da mineradora Vale em 2019, será apresentado no próximo sábado, 25 de janeiro. O espaço, construído no Córrego do Feijão, a primeira comunidade atingida pela lama, abrirá inicialmente apenas para familiares das vítimas, autoridades e moradores da região.
Inspirado em memoriais internacionais, como o de 11 de Setembro, em Nova York, e o Museu de Auschwitz, na Polônia, o "Memorial Brumadinho" foi erguido no próprio local da tragédia, simbolizando um ponto de reflexão sobre o maior desastre ambiental e humano do Brasil. A presidente da Fundação Memorial de Brumadinho, Fabíola Moulin, destacou a importância do espaço como um registro da violência cometida contra a humanidade e o meio ambiente, além de ser um exemplo global de como lidar com memórias traumáticas.
Maria Regina da Silva, mãe de Priscila Elen da Silva, uma das vítimas, é membro do conselho fiscal da Avabrum (Associação dos Familiares das Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem). Ela ressalta a importância do memorial para preservar a história e dar visibilidade ao enfrentado pelos atingidos. Emocionada, ela afirma que a inauguração representa um passo importante na luta por justiça e memória, mas que o caminho até aqui foi "repleto de espinhos".
A ideia do memorial surgiu ainda em 2019, quando os familiares começaram a enterrar apenas fragmentos de corpos encontrados na lama. Segundo Maria Regina, essa experiência intensificou a necessidade de um espaço dedicado à memória das vítimas. O memorial inclui 278 nichos numerados para guardar restos corporais, uma área de bosque com 272 ipês amarelos, cada uma homenageando uma vítima, além de uma escultura-monumento e espaços meditativos.
Projetado pelo escritório Gustavo Penna Arquitetos Associados, o memorial foi escolhido por votação das famílias e busca oferecer uma experiência imersiva, ao mesmo tempo que se dedica à educação e pesquisa. A estrutura conta com duas salas de exposição, uma drusa de cristais e projetos que fomentam estudos em áreas como meio ambiente, arquitetura, história e direito, focando nos desdobramentos da tragédia.
O espaço, que mescla beleza arquitetônica e profundidade emocional, reforça a necessidade de manter viva a memória de um crime que marcou Brumadinho e o Brasil. Segundo os organizadores, os detalhes sobre a visitação pública serão divulgados após a apresentação.
Foto: Nitro Imagens Ltda (c)
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