
Mais de 320 mil pessoas participaram de manifestações em diferentes cidades da França neste sábado (31/10), em novos protestos contra o alto custo de vida, a inflação e o aumento dos preços dos combustíveis. Os atos reuniram estudantes, representantes de sindicatos e integrantes do movimento dos Coletes Amarelos. Apesar de começarem de forma pacífica, as mobilizações terminaram em confrontos com as forças de segurança em várias regiões do país.
Em Paris, policiais do batalhão de choque avançaram contra grupos de manifestantes e utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar os participantes. Situações semelhantes foram registradas em Lyon, terceira maior cidade francesa, e em Toulouse, no sudoeste do país. Em Marselha, também houve momentos de tensão durante manifestações que não haviam sido autorizadas pelas autoridades.
De acordo com o Ministério do Interior francês, os protestos reuniram aproximadamente 320 mil pessoas em todo o território nacional, sendo 70 mil na capital. O número representa uma redução em relação às mobilizações anteriores: no sábado passado, foram contabilizados 410 mil participantes, enquanto em 17 de outubro o total chegou a 550 mil. Mesmo com a queda na adesão, o governo manteve um esquema reforçado de segurança.
As autoridades afirmaram que grupos considerados radicais tentaram se separar das marchas para provocar danos e saques em cidades como Bordeaux, Toulouse, Lyon e Marselha. Segundo o Ministério do Interior, as ações foram contidas pelas forças de segurança. Durante fiscalizações em estações ferroviárias e rodovias, agentes também encontraram objetos que poderiam ser utilizados como armas.
As manifestações ganharam força no fim de setembro, quando o governo minoritário do presidente Emmanuel Macron iniciou as negociações sobre o orçamento de 2027. O movimento começou com estudantes insatisfeitos com as condições nas escolas, a superlotação das salas de aula e o sistema de admissão nas universidades, considerado injusto por parte dos jovens. Com o passar das semanas, sindicatos e integrantes dos Coletes Amarelos também aderiram aos atos.
O movimento dos Coletes Amarelos ganhou projeção nacional em 2018, com protestos contra o aumento dos combustíveis e o custo de vida. Agora, os manifestantes voltaram às ruas para cobrar medidas diante da inflação e das dificuldades enfrentadas pelas famílias. As promessas do governo de reformar a educação e reduzir os gastos com combustível não foram suficientes para conter a insatisfação popular.
Durante a manifestação em Paris, o estudante Aaron Berthier de Grandry, de 15 anos, afirmou que participava do terceiro fim de semana consecutivo de protestos. Ele criticou a falta de perspectivas para os jovens e disse que a França corre o risco de entrar em colapso caso a nova geração não tenha recursos e oportunidades. O manifestante Jérôme Rodriguez também criticou a condução da economia e acusou o governo de não responder às dificuldades enfrentadas pela população.
O governo francês reforçou o policiamento após os episódios de violência e saques registrados em 17 de outubro, quando estabelecimentos comerciais, prédios públicos e empresas foram danificados. O ministro do Interior, Laurent Nunez, alertou que máscaras de Halloween poderiam ser utilizadas para esconder a identidade de pessoas envolvidas em atos de vandalismo. As autoridades também mantiveram restrições a determinados trajetos de manifestação em Paris e recomendaram que turistas evitassem áreas com grandes aglomerações.
A crise social ocorre em meio a um cenário econômico e político delicado para Macron. Na sexta-feira (30), a agência Fitch mudou de estável para negativa a perspectiva da nota de crédito da França. A dívida pública se aproxima de 120% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto os custos de financiamento do governo aumentam. Com a economia francesa em contração no terceiro trimestre e prejuízos ao comércio estimados em mais de 1 bilhão de euros, os protestos ampliam a pressão sobre o governo às vésperas da eleição presidencial prevista para abril.
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