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Brasil tem 3.730 espécies de plantas ameaçadas de extinção, aponta lista atualizada pelo governo

Nova relação inclui 521 espécies a mais que a versão anterior; pau-brasil passou para a categoria de risco mais elevado, e duas plantas da Mata Atlântica são consideradas possivelmente extintas

31/10/2026 às 08h49
Por: Cristiane Cirilo
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Mata Atlântica
Mata Atlântica

O Brasil tem 3.730 espécies de plantas ameaçadas de extinção, segundo a nova Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção, atualizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A relação foi oficializada pela Portaria GM/MMA nº 1.783, de 26 de outubro de 2026, e substitui a versão publicada em 2022.

Do total de espécies incluídas, 838 foram classificadas como vulneráveis, 2.162 estão em perigo de extinção e 730 aparecem na categoria criticamente em perigo. Nesse último grupo estão duas espécies consideradas possivelmente extintas na natureza.

A atualização acrescentou 521 espécies em relação à lista anterior. Foram incluídas 595 plantas e retiradas 74. O aumento, porém, não significa necessariamente que todas essas espécies tenham sofrido uma piora recente em seu estado de conservação. Segundo o MMA, a mudança também está relacionada à ampliação das avaliações científicas e à disponibilidade de novas informações.

O número de espécies avaliadas passou de 7.524, em 2022, para 9.420 na atualização atual, um crescimento de aproximadamente 25%.

Pau-brasil passa para categoria de risco mais elevado

Um dos principais destaques da nova lista é o pau-brasil (Paubrasilia echinata), árvore que deu nome ao país. A espécie passou da classificação “Em Perigo” para “Criticamente em Perigo”, indicando um risco extremamente elevado de desaparecer da natureza.

Outras plantas também aparecem entre as espécies ameaçadas. É o caso de uma sempre-viva (Paepalanthus rupestris), de uma planta carnívora (Philcoxia minensis) e de uma subespécie do pequizeiro (Caryocar brasiliense subsp. intermedium), todas classificadas como “Em Perigo”.

A lista também registra espécies conhecidas e importantes para diferentes ecossistemas brasileiros. Entre as classificadas como vulneráveis estão a castanha-do-pará (Bertholletia excelsa) e o palmito-juçara (Euterpe edulis). Já a araucária (Araucaria angustifolia) e o jequitibá-rosa (Cariniana legalis) aparecem na categoria “Em Perigo”.

Duas espécies são consideradas possivelmente extintas

Duas plantas nativas da Mata Atlântica receberam a classificação “Criticamente em Perigo – Possivelmente Extinta”. São elas Symplocos rizzinii, árvore com registros na região da Serra da Mantiqueira, e Plinia rogersiana, espécie do mesmo gênero da jabuticaba, com ocorrência conhecida em São Paulo.

A classificação não significa que a extinção esteja definitivamente comprovada. A indicação de possível extinção considera a ausência de registros recentes e a falta de evidências de que ainda existam populações na natureza. As duas espécies deverão ser alvo de novas buscas em campo para verificar se ainda sobrevivem em seus ambientes naturais.

Mata Atlântica e Cerrado concentram maiores proporções

A atualização também aponta diferenças entre os biomas brasileiros. A Mata Atlântica e o Cerrado apresentam as maiores proporções de espécies ameaçadas entre as plantas avaliadas: 38% e 35%, respectivamente. Na Amazônia, o percentual é de 18%.

Os números se referem às espécies que passaram pelo processo de avaliação, e não representam a proporção de toda a flora existente em cada bioma.

Entre os fatores considerados na análise estão a redução das populações, a distribuição geográfica das espécies, a fragmentação dos ambientes e as ameaças provocadas por desmatamento, incêndios, poluição, expansão urbana e exploração ilegal.

Como a lista é elaborada e para que serve

As avaliações foram coordenadas pelo Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, com a participação de 507 pesquisadores.

O trabalho utiliza critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), referência mundial na avaliação do risco de extinção. Entre os aspectos analisados estão o tamanho das populações, a velocidade de redução dos indivíduos e a extensão das áreas onde as espécies são encontradas.

A lista nacional é um instrumento para orientar políticas públicas e ações de conservação. As informações podem ser utilizadas na criação e gestão de áreas protegidas, no licenciamento ambiental e em projetos de recuperação de espécies e dos ambientes onde vivem.

A inclusão de uma planta na relação também fundamenta medidas de proteção e restrições a atividades como coleta, corte e comercialização, conforme as condições e exceções previstas na legislação.

A atualização da flora integra o processo de revisão das listas nacionais de espécies ameaçadas. Em 2026, o governo também atualizou as relações referentes à fauna e publicou, pela primeira vez, uma lista nacional de fungos ameaçados de extinção.

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