
O acidente com o voo 402 da TAM, envolvendo um avião Fokker 100 que caiu sobre uma área residencial de São Paulo, completa 30 anos neste sábado (31). A tragédia ocorreu em 31 de outubro de 1996, poucos segundos depois da decolagem no Aeroporto de Congonhas, e deixou 99 mortos: 89 passageiros, seis tripulantes e quatro pessoas que estavam em solo.
A aeronave, de matrícula PT-MRK, fazia um voo regular entre São Paulo e o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O avião havia iniciado a decolagem normalmente, mas apresentou uma anormalidade logo depois de deixar o chão. Em aproximadamente 24 segundos de voo, perdeu o controle, atingiu edificações e caiu no bairro do Jabaquara, na zona sul da capital paulista. O impacto provocou um incêndio e destruiu a aeronave.
As informações constam no relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira responsável pela investigação de ocorrências aeronáuticas.
Falha no reversor do motor
A investigação identificou problemas relacionados ao sistema de reversão de empuxo do motor direito como elemento central na sequência do acidente. O reversor é um mecanismo utilizado para ajudar a reduzir a velocidade da aeronave durante o pouso, desviando o fluxo de ar dos motores.
De acordo com o relatório, o reversor do motor direito apresentou abertura e fechamento durante a decolagem. O sistema deveria permanecer travado durante o voo, mas uma falha permitiu que o mecanismo fosse destravado e acionado em um momento em que o avião precisava de potência para ganhar altitude.
A tripulação recebeu indicações de anormalidade relacionadas ao sistema de aceleração automática e tentou corrigir o problema. No entanto, a situação evoluiu rapidamente. Com o reversor aberto, a aeronave perdeu velocidade e não conseguiu manter a trajetória de subida.
Testemunhas relataram ter visto o mecanismo do motor direito abrir e fechar enquanto o avião ainda estava próximo ao aeroporto. O relatório também analisou registros dos sistemas da aeronave e identificou sinais de problemas elétricos relacionados ao travamento e à indicação do reversor.
A investigação apontou uma combinação de fatores técnicos e operacionais na ocorrência. O objetivo do trabalho do Cenipa, conforme o próprio documento ressalta, é prevenir novos acidentes, e não determinar culpa ou responsabilidade civil ou criminal.
Investigação e recomendações de segurança
O relatório final apresentou recomendações voltadas a fabricantes, operadores e órgãos responsáveis pela segurança da aviação. Entre os pontos tratados estavam melhorias no projeto e na inspeção do sistema de reversão de empuxo, procedimentos operacionais, treinamento de pilotos e comunicação de alertas na cabine.
A investigação também examinou registros de voos anteriores da aeronave, nos quais já haviam sido identificados sinais elétricos relacionados ao sistema do reversor. Esses episódios não tinham produzido alertas claros para as tripulações, segundo a análise técnica.
O acidente teve grande repercussão no país pelo número de vítimas e por ter atingido uma área residencial pouco depois da decolagem. Além das pessoas que estavam a bordo, quatro moradores ou pessoas que estavam em solo morreram.
TAM e LATAM: entenda a diferença
Na época do acidente, a companhia responsável pelo voo era a TAM. A empresa passou a integrar o grupo LATAM em 2012, após a associação com a chilena LAN. Por isso, o caso é conhecido historicamente como acidente do voo 402 da TAM, e não como um acidente da LATAM.
O Fokker 100 envolvido tinha capacidade para transportar passageiros em voos comerciais de curta e média distância. O modelo foi utilizado pela TAM durante os anos 1990 e 2000.
Três décadas depois, o acidente permanece registrado entre as principais tragédias da aviação comercial brasileira. O relatório do Cenipa reúne os dados técnicos da ocorrência e as recomendações elaboradas a partir da investigação.
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