
A Marinha do Brasil incorporou à sua frota, na sexta-feira (30), o Navio-Patrulha Mangaratiba (P73), embarcação destinada a reforçar a fiscalização das águas brasileiras, proteger estruturas estratégicas e ampliar a presença naval na região da foz do Rio Amazonas e da Margem Equatorial. Entre as atribuições previstas estão o patrulhamento e a proteção de plataformas de petróleo e gás, além de missões de busca e salvamento e apoio a comunidades que vivem em áreas isoladas.
A cerimônia de incorporação, chamada de Mostra de Armamento, foi realizada no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, onde o navio teve sua construção concluída. O evento marcou a transferência da embarcação para o setor operativo da Marinha e a entrada da primeira tripulação a bordo.
O Mangaratiba ficará subordinado ao 4º Distrito Naval, com sede em Belém, no Pará. A área de atuação inclui a foz do Rio Amazonas e a Margem Equatorial, região considerada estratégica para a fiscalização marítima e para atividades relacionadas à exploração de petróleo e gás.
Com 54,2 metros de comprimento e deslocamento de aproximadamente 500 toneladas, o navio foi projetado para operar tanto em águas marítimas quanto fluviais. A embarcação tem autonomia de cerca de 2.500 milhas náuticas, o equivalente a aproximadamente 5 mil quilômetros, e capacidade para transportar até 51 militares.
Além da proteção de plataformas e outras instalações estratégicas, o navio poderá atuar em inspeções navais, no combate a ilícitos nas águas brasileiras e no atendimento a populações de regiões de difícil acesso.
Tecnologia desenvolvida no Brasil
Um dos diferenciais do Mangaratiba é o Sistema de Comando e Controle Georreferenciado (SisC2Geo), desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas da Marinha. A tecnologia reúne informações de radares, sensores, equipamentos de navegação e outros sistemas, permitindo que a tripulação acompanhe o cenário ao redor da embarcação de forma integrada.
O sistema ajuda os militares a identificar situações relevantes durante as operações e oferece informações para apoiar a tomada de decisões.
O navio também conta com um sistema de comunicação por satélite em Banda X, que permite estabelecer contato seguro e de maior alcance com os comandos superiores da Marinha. O recurso é considerado importante para operações em áreas remotas, onde as distâncias podem dificultar a comunicação entre as equipes.
Construção naval e novos navios
O Mangaratiba é o quarto navio da Classe Macaé e teve a construção concluída no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. O processo envolveu etapas de finalização estrutural, integração de sistemas e testes antes da incorporação à frota.
A embarcação faz parte do Programa de Obtenção de Navios-Patrulha (PRONAPA), que prevê a obtenção de 11 navios para ampliar a capacidade de patrulhamento e proteção das águas brasileiras. A iniciativa integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
Outro navio da mesma classe, o Navio-Patrulha Miramar (P74), está em construção no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, com lançamento previsto para 2028.
Segundo a Marinha, a construção das duas embarcações mobiliza aproximadamente 250 profissionais, entre militares e trabalhadores de empresas contratadas. A iniciativa também busca preservar conhecimentos técnicos e fortalecer a indústria naval brasileira.
Lançamento ocorreu em abril
O Mangaratiba foi lançado ao mar em 27 de abril de 2026, também no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Na ocasião, a embarcação iniciou uma nova etapa, com a realização de testes e procedimentos necessários antes de sua transferência para o setor operativo.
A cerimônia de 30 de outubro, portanto, não marcou o lançamento do navio, mas sua incorporação oficial à frota da Marinha.
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