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Dólar dispara 9,15% na semana e registra maior alta semanal desde 2008

Moeda americana teve a maior valorização semanal desde a crise financeira internacional, enquanto Ibovespa acumulou queda de 18,12%, a pior desde março de 2020

31/10/2026 às 08h00
Por: Cristiane Cirilo
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Unsplash
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O mercado financeiro brasileiro encerrou a semana sob forte pressão, com alta expressiva do dólar e queda acentuada da Bolsa de Valores. Na sexta-feira (30), a moeda americana avançou 1,09% e fechou cotada a R$ 5,446. Já o Ibovespa recuou 0,75%, aos 167.921,80 pontos.

Na semana, o dólar acumulou valorização de 9,15%, a maior alta semanal desde outubro de 2008, durante a crise financeira internacional. O principal índice da B3, por sua vez, registrou queda de 18,12% no período, o pior resultado desde março de 2020, no início da pandemia de covid-19.

Durante o pregão desta sexta-feira, a moeda americana chegou a R$ 5,463. Em outubro, o dólar acumulou alta de 5,27% e passou a registrar valorização de 0,81% no ano.

A instabilidade no mercado brasileiro foi influenciada pela reação dos investidores à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelas incertezas sobre os rumos da política econômica. O mercado aguarda definições sobre a composição da próxima equipe econômica e as medidas que serão adotadas para controlar as contas públicas.

A preocupação com a situação fiscal manteve a pressão sobre o real ao longo da semana. Dados da B3 apontaram saída líquida de quase R$ 7,6 bilhões de investidores estrangeiros do mercado secundário de ações nos três primeiros pregões do período.

Na segunda-feira (26), primeiro pregão após o resultado eleitoral, a queda do Ibovespa acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando as perdas atingem determinado patamar.

Bolsa tem pior semana desde 2020

O Ibovespa fechou outubro com queda acumulada de 9,88%, o pior resultado mensal desde junho de 2022.

Na semana, a desvalorização de 18,12% ficou próxima da registrada em março de 2020, quando o indicador caiu 18,88% em meio aos impactos iniciais da pandemia.

Além das incertezas internas, o mercado brasileiro acompanhou a cautela dos investidores no exterior, especialmente em relação às empresas de tecnologia e aos investimentos em inteligência artificial.

Em Nova York, o índice S&P 500 encerrou a sexta-feira em queda de 1,82%. O movimento refletiu preocupações com os resultados de grandes empresas do setor de tecnologia e as perspectivas para os juros e a inflação.

Feriado também influenciou o câmbio

A formação da Ptax de fim de mês, taxa calculada pelo Banco Central e utilizada como referência para contratos futuros de câmbio, contribuiu para a volatilidade do dólar durante parte do pregão.

Outro fator foi a procura por proteção cambial antes do fim de semana prolongado pelo feriado de Finados, na segunda-feira (2).

No mercado internacional, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes, registrava alta de 0,01%, aos 101,890 pontos, às 17h31.

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