
Sindicatos e grupos de protesto da França convocaram novas manifestações para o próximo sábado (31) e uma greve nacional para 5 de novembro. Os movimentos querem ampliar a pressão sobre o governo francês em meio à insatisfação com os salários, o aumento do custo de vida e as condições dos serviços públicos. As convocações foram anunciadas neste domingo (25), após uma nova rodada de protestos em diversas cidades do país.
Segundo o Ministério do Interior francês, cerca de 410 mil pessoas participaram das manifestações realizadas no sábado (24). Para conter possíveis episódios de violência, o governo mobilizou 70 mil policiais em todo o território nacional.
Prisões e reforço na segurança
A operação de segurança evitou a repetição da onda de saques e depredações registrada na semana anterior, embora tenham ocorrido confrontos pontuais em algumas cidades.
De acordo com as autoridades, 1.314 pessoas foram presas durante os atos de sábado, e aproximadamente 50 policiais ficaram feridos. O número de detenções foi cerca de metade do registrado na semana anterior, quando milhares de estabelecimentos comerciais foram danificados ou saqueados.
Protestos reúnem diferentes grupos
As mobilizações, iniciadas com a participação de estudantes que reivindicam melhorias na educação, passaram a reunir trabalhadores, professores, bombeiros e outros segmentos da sociedade.
Os sindicatos afirmam que o descontentamento vai além das pautas estudantis e reflete dificuldades relacionadas à renda, ao custo de vida e à qualidade dos serviços públicos. O movimento dos Coletes Amarelos, que ganhou força em 2018 durante protestos contra impostos sobre combustíveis e perda do poder de compra, também convocou manifestações para o próximo sábado.
Governo tenta negociar com sindicatos
O governo do presidente Emmanuel Macron iniciou conversas com representantes sindicais e estudantis para tentar reduzir as tensões. Entretanto, lideranças dos movimentos afirmam que as respostas apresentadas até agora não atendem às reivindicações.
A crise ocorre em um momento de pressão sobre as contas públicas francesas e de desgaste político do governo. Macron tem mandato previsto até abril de 2027, e seu campo político não conta com maioria parlamentar suficiente para aprovar sozinho projetos de grande alcance.
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