
Os ônibus que circulam pelo corredor das ruas Niquelina e Domingos Vieira, no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte, passaram a ter velocidade média 30% maior após a implantação de semáforos inteligentes. O sistema, que prioriza a passagem do transporte coletivo, também reduziu o tempo de deslocamento e o congestionamento em trechos da região.
Os resultados foram apresentados pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) durante reunião da Comissão de Mobilidade Urbana, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara Municipal, realizada na quinta-feira (22). Segundo os dados divulgados, a tecnologia beneficiou cerca de 8.874 passageiros por dia durante os seis meses de acompanhamento do projeto-piloto.
A intervenção foi implantada em maio deste ano, em nove cruzamentos do corredor. Antes da mudança, os ônibus circulavam a uma velocidade média de 9,8 km/h e levavam pouco mais de 13 minutos para percorrer os 2,6 quilômetros do trecho. Com o novo sistema, o tempo de viagem no horário de pico da manhã foi reduzido em cerca de três minutos.
Além de favorecer o transporte público, a tecnologia apresentou resultados no trânsito em geral. De acordo com a prefeitura, o congestionamento na Rua Niquelina caiu 17% no horário de pico da manhã, enquanto na Rua Domingos Vieira a redução foi de 13,5% no pico da tarde. Não foram identificados aumentos significativos nos congestionamentos das vias que cruzam o corredor.
Como funciona o sistema
O projeto é desenvolvido pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, pela Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) e pela Empresa de Informática e Informação de Belo Horizonte (Prodabel).
Os equipamentos utilizam câmeras inteligentes e algoritmos de visão computacional para identificar a aproximação dos ônibus. A partir dessas informações, os semáforos podem antecipar a abertura do sinal verde ou ampliar o tempo de passagem dos veículos do transporte coletivo.
A estratégia busca reduzir as paradas e o tempo de espera dos ônibus nos cruzamentos. Durante o período analisado, 33% das passagens de coletivos pelo corredor receberam prioridade semafórica.
Segundo Lucas Colen, subsecretário municipal de Gestão Administrativa, Tecnologia e Inovação da Mobilidade, os resultados variam conforme as características de cada região. Por isso, a expansão do sistema deverá considerar as condições específicas de cada corredor viário.
Expansão para outros cruzamentos
Belo Horizonte tem mais de 1,1 mil cruzamentos com semáforos. A prefeitura prevê ampliar a tecnologia em etapas, com a integração de 576 controladoras semafóricas ao Centro Integrado de Operações de Belo Horizonte (COP-BH) até dezembro de 2026. A etapa corresponde a cerca de metade dos cruzamentos semaforizados da cidade.
A conclusão da implantação nos demais pontos está prevista para 2027. Conforme os valores apresentados na Câmara Municipal, a primeira fase tem orçamento de R$ 10 milhões, enquanto a segunda etapa deve receber investimentos a partir de R$ 35 milhões.
A integração dos equipamentos ao COP-BH também deve facilitar a identificação e a solução de problemas, como semáforos apagados, em modo intermitente ou com falhas de comunicação.
Durante a reunião, vereadores questionaram se a estrutura poderá receber novas funcionalidades no futuro, incluindo recursos de monitoramento de pedestres e outras aplicações. Representantes da Prodabel informaram que o sistema permite atualizações e que a tecnologia deverá ser testada para identificar pedestres que aguardam para atravessar, com a possibilidade de substituir os atuais botões de acionamento em determinados locais.
A expansão dos semáforos inteligentes tem como objetivo melhorar a fluidez do transporte coletivo e contribuir para o trânsito da capital. A prefeitura, no entanto, ressalta que os resultados do projeto-piloto não necessariamente serão reproduzidos da mesma forma em todos os corredores.
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