
Minas Gerais registrou 127.939 vítimas de violência doméstica entre janeiro e setembro de 2026, além de 227 casos de tentativa e consumação de feminicídio, conforme dados atribuídos ao Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Os números reforçam a dimensão da violência contra a mulher no estado e a importância de ampliar os mecanismos de prevenção, acolhimento e proteção.
Uma das ferramentas utilizadas é a Unidade Portátil de Rastreamento (UPR), conhecida como botão do pânico. O dispositivo permite alertar a vítima quando o agressor monitorado se aproxima além dos limites definidos pela Justiça. A medida é adotada no âmbito de decisões judiciais e integra o monitoramento eletrônico de autores de violência doméstica.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o número de mulheres protegidas pelo equipamento passou de 610, em agosto de 2025, para 1.226, em setembro de 2026 — crescimento de aproximadamente 101%. Os dados da Sejusp também indicam que, no fim de setembro, havia 1.724 agressores monitorados por tornozeleiras eletrônicas no estado.
A expansão do sistema está ligada a um acordo de cooperação técnica firmado entre o MPMG, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a Defensoria Pública do Estado, a Sejusp e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese). A iniciativa busca integrar os órgãos responsáveis pela avaliação de risco, pela fiscalização das medidas protetivas e pelo monitoramento eletrônico de agressores.
O levantamento de setembro de 2026 mostra que, das 1.226 mulheres protegidas pelo botão do pânico, 762 estavam na Região Metropolitana de Belo Horizonte e 464 no interior. O Ministério Público destaca que a integração de informações permite identificar falhas na aplicação das medidas judiciais e agilizar providências para reforçar a segurança das vítimas.
Apesar do aumento no número de usuárias, especialistas apontam a necessidade de ampliar a cobertura e aprimorar o funcionamento do sistema. O monitoramento eletrônico pode ajudar a identificar a aproximação entre vítima e agressor, mas depende de resposta rápida das forças de segurança e de uma atuação articulada entre as instituições.
A experiência de mulheres que sofreram violência também evidencia os riscos enfrentados quando a proteção é interrompida. No caso relatado na reportagem original, Jhenifer dos Santos recebeu o botão do pânico por decisão judicial, mas ficou sem o dispositivo após o ex-companheiro ser condenado e permanecer foragido. Ela relatou viver com medo de novas aproximações e agressões.
O acesso ao dispositivo depende de decisão judicial e da avaliação do caso. Mulheres em situação de violência podem procurar uma delegacia, especialmente uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, ou buscar orientação junto ao Ministério Público e à Defensoria Pública para solicitar medidas protetivas e avaliar a possibilidade de monitoramento eletrônico.
Em caso de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. Denúncias de violência contra a mulher também podem ser feitas pelo 180, serviço nacional de atendimento que fornece orientações e encaminha denúncias à rede de proteção.
Fonte de atualização: Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Os dados de violência doméstica e feminicídio citados no início correspondem ao período de janeiro a setembro de 2026, conforme o material fornecido; a atualização oficial desses totais deve ser confirmada no painel estatístico da Sejusp.
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