19°C 26°C
Belo Horizonte, MG
Publicidade

Minas Gerais registra quase 128 mil vítimas de violência doméstica em nove meses

Número de mulheres atendidas pelo botão do pânico dobrou em pouco mais de um ano; Ministério Público aponta avanço no monitoramento e na integração entre órgãos de proteção

22/10/2026 às 14h53
Por: João Vitor Viana
Compartilhe:
Marcelo Camargo | Agência Brasil
Marcelo Camargo | Agência Brasil

Minas Gerais registrou 127.939 vítimas de violência doméstica entre janeiro e setembro de 2026, além de 227 casos de tentativa e consumação de feminicídio, conforme dados atribuídos ao Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Os números reforçam a dimensão da violência contra a mulher no estado e a importância de ampliar os mecanismos de prevenção, acolhimento e proteção.

Uma das ferramentas utilizadas é a Unidade Portátil de Rastreamento (UPR), conhecida como botão do pânico. O dispositivo permite alertar a vítima quando o agressor monitorado se aproxima além dos limites definidos pela Justiça. A medida é adotada no âmbito de decisões judiciais e integra o monitoramento eletrônico de autores de violência doméstica.

Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o número de mulheres protegidas pelo equipamento passou de 610, em agosto de 2025, para 1.226, em setembro de 2026 — crescimento de aproximadamente 101%. Os dados da Sejusp também indicam que, no fim de setembro, havia 1.724 agressores monitorados por tornozeleiras eletrônicas no estado.

Acordo busca ampliar a proteção

A expansão do sistema está ligada a um acordo de cooperação técnica firmado entre o MPMG, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a Defensoria Pública do Estado, a Sejusp e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese). A iniciativa busca integrar os órgãos responsáveis pela avaliação de risco, pela fiscalização das medidas protetivas e pelo monitoramento eletrônico de agressores.

O levantamento de setembro de 2026 mostra que, das 1.226 mulheres protegidas pelo botão do pânico, 762 estavam na Região Metropolitana de Belo Horizonte e 464 no interior. O Ministério Público destaca que a integração de informações permite identificar falhas na aplicação das medidas judiciais e agilizar providências para reforçar a segurança das vítimas.

Especialista defende aprimoramento da tecnologia

Apesar do aumento no número de usuárias, especialistas apontam a necessidade de ampliar a cobertura e aprimorar o funcionamento do sistema. O monitoramento eletrônico pode ajudar a identificar a aproximação entre vítima e agressor, mas depende de resposta rápida das forças de segurança e de uma atuação articulada entre as instituições.

A experiência de mulheres que sofreram violência também evidencia os riscos enfrentados quando a proteção é interrompida. No caso relatado na reportagem original, Jhenifer dos Santos recebeu o botão do pânico por decisão judicial, mas ficou sem o dispositivo após o ex-companheiro ser condenado e permanecer foragido. Ela relatou viver com medo de novas aproximações e agressões.

Como solicitar o botão do pânico

O acesso ao dispositivo depende de decisão judicial e da avaliação do caso. Mulheres em situação de violência podem procurar uma delegacia, especialmente uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, ou buscar orientação junto ao Ministério Público e à Defensoria Pública para solicitar medidas protetivas e avaliar a possibilidade de monitoramento eletrônico.

Em caso de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. Denúncias de violência contra a mulher também podem ser feitas pelo 180, serviço nacional de atendimento que fornece orientações e encaminha denúncias à rede de proteção.

Fonte de atualização: Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Os dados de violência doméstica e feminicídio citados no início correspondem ao período de janeiro a setembro de 2026, conforme o material fornecido; a atualização oficial desses totais deve ser confirmada no painel estatístico da Sejusp.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.