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Novo exame de sangue para Alzheimer chega ao Brasil; veja quem pode fazer e quanto custa

Teste mede proteína associada às alterações biológicas da doença e pode reduzir a necessidade de exames invasivos; procedimento é indicado para pacientes com sintomas e suspeita clínica

16/10/2026 às 12h25
Por: Cristiane Cirilo
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Saiful52/Shutterstock
Saiful52/Shutterstock

Um exame de sangue capaz de identificar alterações biológicas associadas à doença de Alzheimer começou a ser oferecido no Brasil na quinta-feira (15). Inicialmente, o teste está disponível no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), na rede privada, com custo estimado em R$ 3 mil.

A tecnologia mede a proteína p-tau217, um biomarcador relacionado a alterações cerebrais características da doença. O resultado pode ajudar médicos a investigar a causa de sintomas cognitivos e, em determinadas situações, reduzir a necessidade de procedimentos como a punção lombar e o exame de imagem conhecido como PET amiloide.

Apesar do avanço, o teste não confirma sozinho o diagnóstico de demência causada pelo Alzheimer. A indicação depende de avaliação médica, e os resultados precisam ser interpretados em conjunto com os sintomas, o histórico clínico e outros exames, quando necessários.

Como funciona o exame

A proteína p-tau217 é uma forma modificada da proteína tau, presente nas células nervosas. Seus níveis no sangue estão associados a processos biológicos relacionados ao Alzheimer, incluindo alterações ligadas ao acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro.

A identificação desse biomarcador pode contribuir para esclarecer a origem de problemas de memória e outras alterações cognitivas. A coleta é feita por meio de um exame de sangue convencional, o que representa uma alternativa menos invasiva em comparação com a punção lombar, utilizada para coletar o líquido cefalorraquidiano, ou com exames especializados de imagem.

Estudos publicados na revista científica Nature Medicine em 2025 avaliaram a capacidade de testes sanguíneos baseados na p-tau217 para identificar alterações associadas ao Alzheimer em pessoas com sintomas cognitivos. Os resultados indicaram concordância elevada com métodos de referência, embora o desempenho varie conforme os critérios utilizados e as características dos pacientes.

Quem pode fazer o teste

O exame é indicado para pessoas que já apresentam sintomas de comprometimento cognitivo e têm suspeita clínica de Alzheimer. A solicitação deve ocorrer após avaliação médica.

Queixas isoladas de esquecimento não significam necessariamente que uma pessoa tenha a doença. Problemas de memória podem ter diferentes causas, e cabe ao profissional de saúde avaliar os sintomas e determinar quais exames são necessários.

O teste também não deve ser utilizado como ferramenta de rastreamento indiscriminado em pessoas sem sintomas. Nesses casos, o significado clínico de um resultado positivo não está estabelecido da mesma forma que na investigação de pacientes com suspeita da doença.

Os resultados podem contribuir para a decisão médica, mas não substituem a avaliação clínica. Dependendo do caso, exames complementares podem continuar necessários.

Quanto custa e onde está disponível

O exame tem preço estimado em R$ 3 mil e começou a ser oferecido pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. A disponibilidade inicial é na rede privada.

A tecnologia utilizada no teste recebeu regularização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em agosto de 2026, segundo informações divulgadas sobre a chegada do procedimento ao país.

A regularização sanitária permite o uso do produto dentro das condições autorizadas, mas não significa que o exame esteja automaticamente disponível em todos os laboratórios ou tenha cobertura obrigatória pelos planos de saúde.

Quando o exame chegará ao SUS?

Ainda não há previsão confirmada para a oferta do teste pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo informações atribuídas ao Ministério da Saúde em reportagens publicadas nesta sexta-feira (16), não houve solicitação de avaliação dessa tecnologia pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

A comissão analisa evidências científicas, segurança, eficácia, custo-efetividade e impacto financeiro antes de recomendar a incorporação de novas tecnologias à rede pública.

Até que haja uma eventual decisão de incorporação, a chegada do exame à rede privada não altera automaticamente os procedimentos disponíveis no SUS para investigar a doença de Alzheimer.

O novo teste amplia as possibilidades de investigação de alterações cognitivas, mas o diagnóstico continua dependendo da análise conjunta dos sintomas, do histórico do paciente e dos resultados dos exames indicados pelo profissional de saúde.

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