
Christa Pike, recebeu alta hospitalar e voltou à prisão neste sábado (10), dez dias depois de sobreviver à tentativa de execução de pena capital por parte dos Estados Unidos. Segundo seus advogados, ela está de volta ao Centro de Reabilitação Debra K. Johnson, em Nashville, a penitenciária feminina onde ficou presa por cerca de 30 anos, e segue em tratamento médico dentro da unidade. A defesa informou que ela é grata aos socorristas e à equipe médica pelos cuidados.
A tentativa de execução, em 30 de setembro, falhou depois que Pike recebeu duas doses do sedativo pentobarbital e continuou respirando. Ela chegou a perder a consciência, mas seguia respirando com dificuldade quando as testemunhas da imprensa foram retiradas da sala, quase 90 minutos após o início do procedimento. Uma ambulância a levou a um hospital da região. Segundo o Death Penalty Information Center, é a primeira pessoa conhecida a sobreviver depois de receber os medicamentos de uma injeção letal.
O estado não informou se pretende tentar executá-la de novo. Os advogados de Pike afirmam que ela não poderá mais ser submetida a uma execução e pedem que o governador Bill Lee converta a pena em prisão perpétua. A condenação de Pike é por um assassinato cometido em 1995: a morte de Colleen Slemmer, de 19 anos.
A recuperação
Os advogados contam que Pike foi hospitalizada em estado tão grave que chegaram a acreditar que ela estivesse com morte cerebral e dependesse de aparelhos. Para surpresa da defesa e dos médicos, ela acordou em 6 de outubro e começou a falar. Hoje consegue andar com ajuda. Segundo a defesa, ao acordar ela se sentia com raiva e confusa, e a falha na execução deixou sequelas físicas importantes, que tornam sua recuperação longa.
Consequências para o sistema penitenciário
Depois do episódio, o governador Bill Lee suspendeu todas as execuções do estado até o fim do ano e ordenou uma revisão independente para entender como Pike sobreviveu. Uma execução marcada para dezembro foi cancelada.
O comissário do Departamento Penitenciário do Tennessee, Frank Strada, pediu demissão. A defesa de Pike considerou a saída justificada, mas disse que ela não ajuda a condenada. Os advogados também afirmam que a revisão do governo não vai longe o bastante, levando em conta os mais de 20 anos que ela passou em isolamento.
O caso se soma a outra falha ocorrida em maio, quando a equipe do estado não conseguiu encontrar uma veia para a execução de Tony Carruthers. Na Justiça, a juíza I'Ashea Myles, do tribunal de Davidson County, mandou o Departamento Penitenciário preservar todas as provas ligadas à tentativa de execução de Pike, incluindo mensagens.
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