
O Supremo Tribunal Federal (STF) intensificou, nesta semana, os trabalhos para discutir a modernização do sistema de Justiça brasileiro. Criado por iniciativa do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, o grupo responsável pelo estudo passou a analisar de forma mais concentrada as contribuições recebidas durante consulta pública e as propostas apresentadas pelos próprios integrantes.
O Grupo de Estudos para a Modernização do Sistema de Justiça tem até 19 de dezembro para concluir os estudos e apresentar recomendações sobre os principais desafios enfrentados pelas instituições. No entanto, diante do ritmo das reuniões, o STF avalia que os trabalhos podem ser concluídos antes do prazo inicialmente estabelecido. Somente nesta semana foram realizadas duas reuniões do colegiado.
A iniciativa foi criada em junho e reúne especialistas de diferentes áreas ligadas ao funcionamento do sistema de Justiça. O grupo é coordenado pelo Centro de Estudos Constitucionais do STF (CESTF), sob direção de Fernando Facury Scaff, e tem como relator o desembargador federal Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Ao todo, o colegiado conta com 19 integrantes, entre magistrados, juristas, professores e representantes de instituições relacionadas à Justiça.
Um dos pontos centrais do trabalho é a participação da sociedade. A consulta pública encerrada em 15 de agosto recebeu 95 manifestações, das quais 87 cumpriram os requisitos previstos no edital e passaram a integrar o material analisado pelos especialistas. As contribuições foram apresentadas por integrantes do sistema de Justiça, pesquisadores, instituições acadêmicas e representantes da sociedade civil de diferentes regiões do país.
O objetivo agora é transformar os diagnósticos e sugestões recebidos em recomendações capazes de produzir mudanças concretas na prestação jurisdicional. O debate considera o sistema de Justiça de maneira integrada, envolvendo Judiciário, Ministério Público, advocacia pública e privada e Defensoria Pública, com atenção também às relações institucionais entre esses setores.
Entre os principais temas em discussão estão a simplificação de processos, a redução da litigiosidade excessiva, a transformação digital e a modernização da gestão judiciária. O grupo também avalia questões relacionadas à transparência, integridade institucional, segurança jurídica e ao uso responsável de ferramentas de inteligência artificial.
A tecnologia ocupa espaço relevante na agenda. As discussões incluem a integração de sistemas e bases de dados, o aprimoramento do uso de recursos tecnológicos na administração da Justiça e medidas para ampliar a inclusão digital. Também estão em análise parâmetros para utilização responsável da inteligência artificial, especialmente diante do impacto dessas ferramentas sobre atividades judiciais e administrativas.
O grupo ainda discute mecanismos de prevenção e solução consensual de conflitos, gestão de acervos processuais, formação e aplicação de precedentes e medidas voltadas à acessibilidade. A intenção é identificar gargalos estruturais e propor alternativas que possam melhorar tanto a eficiência das instituições quanto o acesso da população aos serviços de Justiça.
A fase atual representa a etapa de consolidação do trabalho iniciado com a consulta pública e a formação do colegiado. A partir das contribuições recebidas e das discussões técnicas, o STF pretende reunir recomendações para enfrentar desafios atuais e antecipar mudanças que deverão afetar o sistema de Justiça nos próximos anos.
Mín. 18° Máx. 23°