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Escola estadual de Lagoa Santa rejeita possível transformação em Colégio Tiradentes

Comunidade escolar da Reparata Dias de Oliveira afirma que mudança pode comprometer atendimento a alunos que trabalham e cobra diálogo do governo de Minas

26/08/2026 às 08h21
Por: Cristiane Cirilo
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Local: Escola Estadual Reparata Dias de Oliveira - Rua Elvira Pereira da Silva, 70 - Vila Maria - Lagoa Santa | Pessoas: Geral | Foto: Willian Dias
Local: Escola Estadual Reparata Dias de Oliveira - Rua Elvira Pereira da Silva, 70 - Vila Maria - Lagoa Santa | Pessoas: Geral | Foto: Willian Dias

Alunos, professores e direção da Escola Estadual Reparata Dias de Oliveira, em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, manifestaram oposição à possível transformação da unidade em um Colégio Tiradentes da Polícia Militar. A posição foi apresentada durante uma visita da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada na noite de segunda-feira (24).

Com 41 anos de história, a escola atende cerca de 380 estudantes de 14 bairros, em uma área considerada de vulnerabilidade social. A unidade oferece ensino fundamental, ensino médio regular, cursos profissionalizantes e Educação de Jovens e Adultos (EJA) no período noturno.

A possibilidade de transformação em Colégio Tiradentes teria sido mencionada inicialmente pelo governador Mateus Simões em uma rede social. Desde então, segundo a direção, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) não confirmou nem descartou oficialmente a mudança.

De acordo com o diretor Thiago Luiz Oliveira, a escola recebeu apenas uma comunicação da Superintendência Regional de Ensino informando que três militares, à paisana, fariam uma visita ao local para avaliar a estrutura.

Comunidade critica falta de informações

A indefinição tem provocado preocupação entre estudantes e funcionários. Segundo o diretor, informações posteriores sobre a implantação do ensino médio em tempo integral profissionalizante aumentaram a insegurança na comunidade escolar.

A escola teria recebido prazo de 48 horas para escolher uma área de formação entre as opções apresentadas pela SEE. A unidade optou pelo curso de Administração.

Para Oliveira, a modalidade não corresponde ao perfil dos estudantes atendidos pela escola. Segundo ele, mais de 80% dos alunos trabalham, o que dificulta a permanência em uma jornada escolar ampliada.

O diretor também afirmou que a mudança poderia aumentar a evasão e comprometer a continuidade do ensino fundamental e da EJA.

“Mais de 80% dos alunos trabalham, e só com o sexto horário que tivemos que adotar já sofremos evasão”, afirmou.

Professores também demonstraram preocupação com a falta de diálogo. Reinaldo França, professor de Ciências e Biologia, afirmou que o ensino integral não seria adequado à realidade dos estudantes. Já o professor de História Mauro Soares classificou a situação como de “opressão, revolta e falta de respeito”.

Alunos defendem permanência da escola

Durante a audiência, estudantes também relataram a importância da Reparata Dias de Oliveira para a comunidade.

Amanda Alves dos Santos, aluna do 3º ano, afirmou que, apesar de estar próxima da conclusão dos estudos, acompanha a mobilização pela manutenção da escola.

Eduardo Fernandes de Carvalho, estudante do 3º ano da EJA, contou que retornou à instituição depois de uma experiência anterior e destacou as melhorias realizadas na estrutura.

Segundo ele, a escola passou por uma transformação nos últimos anos, com recuperação de espaços e criação de áreas de convivência.

“Para que um Colégio Tiradentes aqui? Sem sentido isso, a escola se reconstruiu e faz parte da gente”, afirmou.

A direção também questiona a possível transformação porque o Colégio Tiradentes possui critérios próprios de atendimento e, segundo os relatos apresentados à comissão, prioriza filhos e netos de policiais militares e bombeiros militares.

Comissão cobra diagnóstico do governo

A presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da ALMG, deputada Beatriz Cerqueira (PT), afirmou que a visita reforçou a avaliação de que falta um diagnóstico para justificar a possível mudança.

Segundo a parlamentar, outras escolas estaduais também serão visitadas pela comissão para ouvir as respectivas comunidades.

“O que ouvimos das escolas sobre essa transformação é sempre ‘fomos surpreendidos, não fomos ouvidos e não queremos’”, afirmou.

A deputada também citou a Lei Estadual 24.482/2023, que estabelece políticas de prevenção e combate ao abandono e à evasão escolar e prevê a manutenção do ensino médio regular onde houver demanda.

Para Cerqueira, a implantação do ensino integral sem considerar a realidade dos estudantes pode contribuir para o aumento da evasão e, posteriormente, comprometer a continuidade da escola.

A Secretaria de Estado de Educação ainda não apresentou, segundo as informações divulgadas durante a visita, uma definição pública sobre a transformação da Reparata Dias de Oliveira em Colégio Tiradentes.

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