
O Brasil completa, em 2026, dez anos sem registrar casos de raiva humana causados pelas variantes do vírus associadas a cães. Para manter esse cenário e reforçar as medidas de prevenção, o Ministério da Saúde ampliou as ações de vacinação antirrábica em regiões de fronteira.
A campanha de vacinação antirrábica de cães e gatos foi aberta simultaneamente em áreas do Acre, Rondônia e Mato Grosso do Sul, com participação de representantes do Brasil, da Bolívia e do Peru. A iniciativa busca integrar as ações de vigilância e controle da doença em regiões onde há circulação frequente de pessoas e animais entre os países.
Para apoiar as mobilizações, o Ministério da Saúde disponibilizou vacinas contra a raiva para cães e gatos, além de materiais e equipamentos necessários para as ações. Entre os itens fornecidos estão caixas térmicas e termômetros para garantir a conservação das doses, além de equipamentos utilizados na contenção segura dos animais.
Segundo o Ministério da Saúde, a integração das ações é especialmente importante nas regiões de fronteira, onde o deslocamento de pessoas e animais pode facilitar a circulação do vírus. A vacinação dos animais domésticos é considerada uma das principais estratégias para evitar a transmissão da doença para seres humanos.
Apesar de o país não registrar há uma década casos de raiva humana provocados pelas variantes caninas, o vírus continua circulando entre animais silvestres. Morcegos, primatas e raposas estão entre os animais que podem transmitir a doença, o que mantém a necessidade de vigilância permanente.
Entre 2016 e 2026, foram confirmados 37 casos de raiva humana no Brasil, todos relacionados a variantes silvestres do vírus. Os morcegos estiveram envolvidos em 22 registros, enquanto primatas aparecem em sete casos. Também foram registrados casos associados a felinos infectados por variante de morcego, raposas, um cão e um bovino contaminados por variantes provenientes de morcegos.
A raiva é uma doença viral grave e apresenta alta letalidade depois do início dos sintomas. Em caso de mordida, arranhão ou contato com a saliva de um mamífero que possa estar infectado, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde, mesmo quando o ferimento parecer pequeno. Após avaliação, o SUS pode indicar a profilaxia antirrábica, que inclui vacina e, em determinadas situações, soro ou imunoglobulina. Também é recomendado evitar contato direto com morcegos e outros animais silvestres encontrados mortos ou que apresentem comportamento incomum.
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