
A delegada Ana Paula Lamego Balbino, esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior, réu pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, teve a licença médica prorrogada por mais 30 dias. A nova licença foi publicada nesta terça-feira (11), data em que o assassinato do trabalhador completa um ano, e é válida até 7 de setembro. Com a renovação, Ana Paula chegará a 390 dias afastada das atividades da Polícia Civil de Minas Gerais.
A delegada está afastada desde 13 de agosto de 2025, dois dias após o crime. Desde então, as licenças vêm sendo renovadas sucessivamente, após avaliações médicas. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o afastamento para tratamento de saúde não interrompe o vínculo funcional com a Polícia Civil. Em junho, último mês disponível no Portal da Transparência, Ana Paula recebeu R$ 17.730,69 em remuneração.
Além da licença médica, Ana Paula responde a um processo administrativo disciplinar na Polícia Civil e foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo e prevaricação no contexto das investigações sobre a morte de Laudemir. A arma utilizada no crime estava registrada em nome da delegada. A Polícia Civil afirma que a concessão e a renovação de licenças para tratamento de saúde seguem a legislação e dependem de avaliação médica competente.
A defesa da delegada nega qualquer participação dela na morte do gari e contesta as acusações. Os advogados afirmam que Ana Paula não emprestou, cedeu ou autorizou o uso da arma para o crime e consideram precipitado o indiciamento. A defesa também sustenta que as licenças médicas foram concedidas por junta médica oficial, após perícias que apontaram a permanência da incapacidade temporária para o exercício das funções policiais. O diagnóstico não foi divulgado por ser protegido por sigilo.
Renê da Silva Nogueira Júnior foi pronunciado e deverá ser julgado pelo Tribunal do Júri pela morte de Laudemir. O gari foi assassinado em 11 de agosto de 2025, no bairro Vista Alegre, na região Oeste de Belo Horizonte, após uma discussão de trânsito. Segundo as investigações, Renê utilizou a arma registrada em nome da esposa para efetuar os disparos. O julgamento ainda não tem data definida.
Um ano após a morte de Laudemir, o caso continua com desdobramentos nas esferas judicial, criminal e administrativa. Enquanto Renê aguarda o julgamento pelo Tribunal do Júri, Ana Paula permanece afastada da Polícia Civil até, pelo menos, 7 de setembro. Paralelamente, seguem em andamento o processo administrativo disciplinar e as apurações relacionadas às acusações contra a delegada, que mantém, por meio da defesa, a afirmação de que não teve responsabilidade no crime.
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