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Ex-marido de Maria da Penha é preso após descumprir medida judicial ao conceder entrevista

Justiça decretou prisão preventiva após investigado falar publicamente sobre crime e violar restrições impostas em 2024

10/08/2026 às 09h13
Por: Cristiane Cirilo
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MPRN/Redes sociais/Reprodução
MPRN/Redes sociais/Reprodução

O ex-marido da ativista Maria da Penha, Marco Antônio Heredia Viveros, foi preso neste domingo (9), em Natal (RN), após descumprir medidas cautelares ao conceder entrevista sobre a tentativa de feminicídio cometida contra a ex-mulher.

A prisão preventiva foi decretada pela Justiça do Ceará no sábado (8), a pedido do Ministério Público estadual, que apontou violação de restrições impostas em 2024. Entre as medidas, estava a proibição de divulgar informações sobre o caso e de expor o nome ou a imagem das vítimas.

Segundo o MP, o investigado concedeu entrevista a uma emissora de televisão abordando o crime, e trechos do conteúdo passaram a circular em plataformas digitais e redes sociais, o que motivou o pedido de prisão.

Além da detenção, a Justiça determinou a retirada imediata de todo o material relacionado à entrevista, proibiu novas divulgações e estabeleceu multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento. Também foi ordenada a preservação de arquivos, registros de edição e demais documentos ligados à produção do conteúdo.

Na decisão, o juiz responsável apontou indícios do crime de descumprimento de medidas protetivas de urgência, previsto na Lei Maria da Penha, destacando que o investigado havia sido formalmente notificado sobre as restrições e suas consequências legais.

A prisão foi realizada pela Polícia Militar do Rio Grande do Norte, com apoio de equipes do Ministério Público.

O caso ocorre dois dias após a Lei Maria da Penha completar 20 anos. A legislação foi criada após a história da farmacêutica cearense, que sobreviveu a duas tentativas de feminicídio em 1983.

Na primeira, ela foi atingida por um disparo enquanto dormia, o que a deixou paraplégica. Meses depois, sofreu nova tentativa de homicídio, quando foi mantida em cárcere privado e submetida a uma tentativa de eletrocussão.

O agressor chegou a ser condenado em diferentes ocasiões ao longo da década de 1990, mas permaneceu em liberdade por anos devido a recursos judiciais. Ele foi preso em 2000 e ficou detido até 2002.

Em 2001, o caso levou à condenação do Estado brasileiro por omissão em instâncias internacionais, o que impulsionou mudanças na legislação e resultou na criação da Lei Maria da Penha, sancionada em 2006.

As investigações sobre o descumprimento das medidas cautelares continuam.

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