
A Polícia Federal indiciou 16 funcionários e executivos da Voepass pela queda do voo 2283, acidente que matou 62 pessoas em agosto de 2024, em Vinhedo, no interior de São Paulo. Entre os investigados estão integrantes da direção da companhia, profissionais das áreas de operação e manutenção e responsáveis por decisões relacionadas ao voo.
Segundo a PF, a investigação apontou que a tragédia ocorreu após uma sequência de fatores, incluindo condições meteorológicas adversas, falhas técnicas na aeronave e problemas relacionados aos procedimentos operacionais adotados pela empresa. Entre os pontos identificados está o acúmulo de gelo severo no avião e uma falha no sistema de degelo que, segundo os investigadores, não teria sido registrada corretamente nos documentos de manutenção.
Entre os indiciados estão o presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, o diretor de manutenção Eric Cônsoli e outros profissionais que ocupavam cargos estratégicos na companhia. A PF aponta que os envolvidos teriam contribuído para o acidente por ações ou negligências e os responsabiliza pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo.
De acordo com a investigação, a empresa teria mantido uma cultura de omissão de falhas e pressão para manter aeronaves em operação. A PF afirma que problemas técnicos, especialmente relacionados ao sistema de degelo, não teriam recebido o tratamento adequado antes do acidente.
O voo 2283 caiu no dia 9 de agosto de 2024, quando fazia o trajeto entre Cascavel, no Paraná, e Guarulhos, em São Paulo. A aeronave, um ATR 72-500 da Voepass, caiu em uma área residencial de Vinhedo, causando a morte de todos os passageiros e tripulantes.
A investigação também apontou responsabilidades de profissionais ligados ao despacho de voos, manutenção e controle operacional. Segundo a PF, alguns procedimentos adotados teriam ignorado limitações técnicas e alertas relacionados às condições de segurança da aeronave.
Os indiciados negam as acusações ou apresentaram justificativas durante os depoimentos prestados à Polícia Federal. A Voepass afirmou que sempre priorizou a segurança operacional, colaborou com as investigações e que aguarda os próximos desdobramentos do caso para exercer seu direito de defesa.
O caso segue em andamento e os responsáveis ainda poderão responder judicialmente pelos fatos investigados. As famílias das vítimas continuam acompanhando os desdobramentos das apurações sobre uma das maiores tragédias aéreas recentes do país.
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