
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (6), uma operação que tem como principal alvo o ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União). A investigação apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos envolvendo um acordo de R$ 308 milhões firmado entre o governo estadual e uma empresa de telefonia.
Ao todo, a PF cumpre 25 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Entre os investigados estão também o deputado federal Fábio Garcia (União), indicado como vice na chapa de reeleição do governador Otaviano Pivetta, o desembargador Ricardo Almeida e o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ulisses Rabaneda.
As ordens judiciais foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o bloqueio e a indisponibilidade de bens dos investigados em até R$ 316 milhões, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal. Segundo a PF, a apuração envolve suspeitas de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.
De acordo com os investigadores, o caso envolve um acordo firmado entre o governo de Mato Grosso e a empresa Oi S.A. relacionado a uma disputa tributária envolvendo créditos de ICMS. A suspeita é de que a operação financeira tenha sido utilizada para desviar recursos públicos por meio de fundos de investimento e empresas intermediárias, com o objetivo de ocultar a origem e o destino dos valores.
O acordo entre o Estado e a operadora foi firmado em abril de 2024 e encerrou uma disputa judicial iniciada em 2009. Na época, a dívida estimada era de R$ 690 milhões, mas após a negociação o valor foi definido em R$ 308 milhões. O Ministério Público Estadual chegou a investigar o pagamento para apurar possíveis irregularidades na destinação dos recursos.
Em nota, a Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso afirmou que confia no trabalho da Polícia Federal e que irá colaborar com as investigações. As defesas de Ricardo Almeida e Ulisses Rabaneda declararam que a atuação dos citados ocorreu dentro das normas legais e no exercício da advocacia. A assessoria de Mauro Mendes e Fábio Garcia foi procurada, mas não havia se manifestado até a publicação.
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