
A Polícia Federal (PF) indiciou 34 pessoas investigadas por suspeita de participação em um esquema de corrupção ligado à atividade de mineração na Serra do Curral, um dos principais patrimônios naturais de Belo Horizonte. Entre os indiciados estão empresários e agentes públicos estaduais e federais responsáveis por processos de fiscalização e licenciamento ambiental.
O indiciamento integra a Operação Rejeito, iniciada em setembro de 2025 para apurar irregularidades envolvendo empresas do setor mineral e servidores de órgãos ambientais, como a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e a Agência Nacional de Mineração (ANM). As investigações apontam a existência de uma organização criminosa voltada a favorecer empreendimentos minerários por meio de práticas ilícitas.
Segundo a Polícia Federal, o grupo é suspeito de cometer crimes como corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, falsidade documental, fraude administrativa e crimes ambientais. O relatório afirma que as provas obtidas por meio de análises bancárias, telemáticas, societárias, documentais e periciais demonstram a atuação coordenada dos investigados.
As investigações também indicam que o esquema utilizava uma complexa estrutura empresarial, formada por holdings, empresas interpostas e sociedades operacionais, criada para ocultar os reais beneficiários dos empreendimentos, dissimular movimentações financeiras e reduzir a responsabilização por danos ambientais.
Em uma fase mais recente da Operação Rejeito, a PF revelou ainda que a organização criminosa teria montado uma estrutura paralela de inteligência por meio de um escritório de detetives particulares. Conforme a investigação, o grupo conseguiu acesso a informações bancárias sigilosas e chegou a monitorar fisicamente o juiz federal responsável pelo processo.
O relatório final será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá sobre o eventual oferecimento de denúncia à Justiça. Caso a acusação seja aceita pelo Poder Judiciário, os investigados passarão à condição de réus e responderão judicialmente pelos crimes apontados durante a investigação.
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